domingo, 26 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#2




Costumo brincar com os pais das “minhas” crianças e dizer que eles trazem incorporado uma espécie de chip que faz com que eles se adaptem ao nível de desenvolvimento dos seus filhotes de uma forma automática e quase mágica, estando sempre uma escadinha acima daquilo que eles precisam. E é isto que faz com que a criança vá crescendo e se desenvolvendo de uma forma harmoniosa e saudável. As aquisições que ambos vão fazendo resultam do que cada um, pai e filho, dão ao outro, das plataformas comunicativas que ambos vão construindo.

Numa fase pré-verbal, ainda antes da fala desenvolvem-se competências essenciais que constituem autênticos pilares para o que virá a seguir.

          
Assim, ao longo do primeiro ano de vida é importante ter presente algumas orientações/estratégias que são promotoras do desenvolvimento da comunicação e da linguagem. O que me proponho a sugerir neste tema “Antes de falar já comunico” é válido para pais e/ou cuidadores de crianças desta faixa etária, bem como para pais de crianças com dificuldades nestas áreas do desenvolvimento.



Estas atitudes existem em cada um de nós! O que as torna tão significativas não é a sua descoberta mas consciência das consequências que elas poderão ter no desenvolvimento da criança.



Como são várias e quero comentar um pouco sobre cada uma das orientações sugeridas, vão dividi-las em mais do que uma publicação.

(Imagens retiradas da Internet)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#1


A presença de fala não é garantia que a comunicação ocorra, assim como, a ausência da mesma não implica necessariamente que não ocorra comunicação (Downing, 1999).

Qualquer aprendizagem é comunicação, pelo que é necessário saber seguir as iniciativas das crianças, saber esperar, dar-lhes tempo, observar e escutar.


 Hoje deixo um curto vídeo, que já tem circulado pela net e que é bem exemplificativo sobre as falhas de comunicação que podem existir quando o adulto (supostamente o interlocutor mais competente) falha na “leitura” dos comportamentos comunicativos da criança. E há dúvidas de que houve uma tentativa de comunicação? O que não ocorreu foi a troca de informação necessária ao processo comunicativo. Tudo isto para pensarmos como o papel do adulto cuidador é fundamental para que comunicação de facto ocorra, sem que para tal tenha que existir necessariamente fala.

Intervenção precoce

De uma forma geral, os pais são os primeiros a perceber a necessidade de Intervenção Precoce (IP) seja a que nível for com os seus filhos, ainda que possam não saber a quem se dirigir. São eles que passam mais tempo com as crianças e que os conseguem caracterizar melhor.

Contudo, nem sempre é assim e, por vezes, a criança poderá encontrar-se em risco ambiental, ou seja, as experiências poderão ser significativamente limitadas durante os primeiros anos de vida, particularmente em áreas como a ligação com a mãe, organização familiar, cuidados de saúde, nutrição e oportunidades de estimulação em termos físicos, sociais e de adaptação. Estes factores estão fortemente correlacionados com a probabilidade de atrasos no desenvolvimento.

Neste sentido, os profissionais que contactam esporadicamente com as crianças deverão ter presente a importância da detecção precoce (enfermeiros, médicos, educadores, professores,…).   

Desde o momento da concepção até à idade pré-escolar, o desenvolvimento ocorre num ritmo não comparável a qualquer outro período da vida. Assim, o desenvolvimento humano precoce é, simultaneamente uma fase de grande vulnerabilidade e de grande oportunidade, em que ocorrem mudanças físicas e mentais constantes. Estas mudanças constituem os alicerces para o funcionamento da pessoa enquanto adulto e para a maximização do seu potencial para uma vida em toda a sua plenitude.
São vários os autores que referem que o grau de qualidade do ambiente educativo influencia o efeito dos factores de risco biológico no desenvolvimento e, desta forma, fica evidente a importância de providenciar estratégias de intervenção desenvolvimentais que favoreçam e modifiquem o ambiente.
Assim, a importância da IP na prevenção das perturbações do desenvolvimento deixa de estar em causa, colocando-se a questão acerca dos factores que tornam o programa de intervenção eficaz. Dentro destes factores, a detecção precoce é sem dúvida dos mais referenciados.

(imagem retirada da net)

Essencial e determinante, é relembrar também que a prevenção é melhor do que a intervenção, e a IP é melhor do que a remediação.

Quando se providenciam medidas de IP, temos a consciência de que estamos a prevenir problemas escolares, de aprendizagem e comportamentais da criança. Problemas de desenvolvimento e do comportamento são, com frequência, observados por profissionais de saúde. A identificação e referenciação destes problemas são fulcrais para que seja providenciada intervenção apropriada e atempada. Contudo, o que se verifica é que tal não acontece. À clínica chegam frequentemente crianças com 5/6 anos com Perturbações da Comunicação e Linguagem, pelo que nos questionamos com frequência como teria decorrido a intervenção se tivesse começado mais cedo.

A competência que a criança tem em qualquer ponto do seu desenvolvimento precoce, quer a tenho atingido por processos de desenvolvimento normais ou com recurso à IP, não está linearmente relacionada com a sua competência posterior na vida. Para conseguirmos predizer o futuro desenvolvimento do indivíduo, necessitamos de ter em atenção os efeitos que o ambiente social e familiar da criança têm, actuando de modo a aumentar a continuidade do curso desenvolvimental positivo. Os programas de IP não conseguem ter sucesso se as alterações alcançadas se dão unicamente na criança (Sameroff e Fiese, 1990, in Peixoto, V., 2007).

De acordo com o Despacho-Conjunto Nº 891/99, de 10 de Outubro, a IP visa:
a)      Assegurar condições facilitadoras do desenvolvimento da criança com deficiência ou em risco de atraso grave do desenvolvimento;
b)      Potenciar a melhoria das interacções familiares;
c)       Reforçar as competências familiares como suporte da sua progressiva capacitação e autonomia face à problemática da deficiência.
(Fonte: PEIXOTO, V. (2007) Perturbações da Comunicação – Importância da detecção precoce. Edições Universidade Fernando Pessoa.)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quando devo levar o meu filho ao terapeuta da fala?


Esta é uma das questões colocadas por muitos pais a si próprios, aos educadores, médicos de família, enfim… Muitas vezes chegam à primeira consulta ou ao rastreio e referem que o instinto lhes dizia que já deviam ter vindo, mas será que não era precipitado?! Este processo é muitas vezes facilitado por familiares próximos e/ou vizinhos que têm ou tiveram contacto com o mundo da terapia da fala. Também acontece o inverso, em que a mesma rede desconhece o trabalho e a importância e, portanto, desincentiva a procura de um terapeuta.

Com este post, pretendo deixar linhas gerais de orientação para a identificação de sinais que ajudem os pais na decisão de procurar um terapeuta da fala ou não.

Sinais de Alerta:
                - aos 12 meses não reage ao seu nome nem a sons familiares; interage pouco com os outros.
- aos 18-24 meses não cumpre instruções simples, ainda não fala ou usa apenas palavras isoladas.
- aos 3 anos não constrói pequenas frases e os pais e familiares não compreendem o que diz; conhece e diz poucas palavras.
- aos 4 anos não conta acontecimentos do dia ou que aconteceram recentemente; a fala ainda não é percebida por todos. Tem dificuldade em iniciar uma frase/repete sílabas (gaguez).
                - aos 5 anos não diz ou troca sons, constrói frases muito simples e/ou desorganizadas e é pouco coerente a contar uma história ou um acontecimento.
                - em idade escolar  tem dificuldades de leitura e escrita; (estas dificuldades serão tema para um post posterior).
(Fonte: Rebelo, A; Vital, A (2006) “Desenvolvimento da Linguagem e Sinais de Alerta: Construção e Validação de um Folheto Informativo”, Re (habiitar) – Revista da Essa, nº2, Edições Colibri, pág. 69-98.)



Sempre que tiver dúvidas não hesite em procurar um terapeuta para uma consulta de avaliação. Em diversos gabinetes/clínicas existe um serviço de rastreio, onde se pondera se uma criança está de alguma forma em risco e são dadas orientações aos pais.  

No Mundo dos Piratinhas”  pretende ser um espaço onde se vá “conversando” sobre o desenvolvimento infantil de uma forma geral, com um ênfase especial sobre as questões da Comunicação e da Linguagem, ou não fosse eu Terapeuta da Fala.

Exerço a minha profissão desde 2005, quase exclusivamente com crianças até aos 12 anos e, desde então, que vou tendo diversas conversas com os pais das “minhas” crianças sobre rotinas, comportamento, aprendizagem,… educação de uma forma geral, que me parecem pertinentes para todos e que muitas vezes gostaria de poder partilhar. Esta foi a forma que encontrei para poder explorar estes temas e que espero que possa ser útil para pais, educadores, professores, familiares, … e pessoas interessadas.

Importa ter presente que o crescimento de um adulto saudável, consciente e seguro, está assente naquilo que a infância poderá representar. A base de sustentação de um adulto inicia-se na infância e terá reflexos naquele que um dia se irá transformar num homem ou mulher. Desta forma, torna-se fundamental dotarmo-nos de ferramentas que nos permitam ser educadores mais preparados, mais confiantes, capazes de identificar sinais, entender e gerir conflitos e procurar soluções. Neste percurso, tem-me parecido como terapeuta que todo o conhecimento é pouco e que, cada vez mais, os pais procuram estar mais informados.

 “Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a” Johann Goethe
Mas amá-la é educá-la…