terça-feira, 6 de março de 2012

Dia Europeu da Terapia da Fala


Vídeo elaborado por colegas da UFP e que mostra as áreas de intervenção do terapeuta

Já comecei este blog há alguns dias e tenho abordado alguns temas relacionados com a minha profissão, a Terapia da Fala, sem ainda ter explorado em que consiste. Além de o fazer, hoje deixarei também a apresentação e o contacto de alguns colegas que trabalham em diferentes locais do país. Parece-me importante mostrar o rosto de alguns que todos os dias fazem desta profissão aquilo que ela é. Ficam também os contactos para que possam tirar dúvidas ou marcar consulta se necessário.   

Quem é o Terapeuta da Fala?


"O Terapeuta da Fala intervém ao nível de perturbações de comunicação, de alterações da fala, da voz e da linguagem oral e escrita, na criança, no adolescente, no adulto e na pessoa idosa, qualquer que seja a etiologia. A este profissional compete a prevenção, a avaliação, o tratamento e o estudo científico da comunicação humana e das perturbações associadas. Neste contexto, a comunicação engloba todas as funções associadas à compreensão e à expressão da linguagem oral e escrita, assim como todas as formas apropriadas de comunicação não-verbal".



Áreas de Intervenção

- Perturbações da interação e comunicação (ex.:. indivíduos com autismo)
- Perturbações da alimentação e deglutição (ex.: após lesão neurológica)
- Perturbações da linguagem
- Perturbações da leitura e escrita
- Perturbações articulatórias (ex.:. indivíduos com distorções em sons da fala)
- Perturbações da fluência do discurso (e.x.: indivíduos com gaguez)
- Perturbações da voz


Contextos em que pode trabalhar

- Hospitais;
- Unidades de cuidados continuados;
- Centros de Saúde;
- Clínicas e Gabinetes Privados;
- Agrupamento de escolas;
- Jardins-de-Infância e Creches;
- Serviços ao domicílio;
- Instituições de solidariedade social e de reinserção social;
- Instituições de arte e espectáculo;

(Fonte: CPLOL -Comité Permanente de Ligação dos Terapeutas da Fala da União Europeia)


Algumas das pessoas que tenho o orgulho de dizer que sou colega de profissão: 

Terapeuta Ana Catarina Coelho Costa
Licenciada em Terapêutica da Fala pela Universidade do Algarve, em 2008.
Pós-Graduada em Motricidade Oro-Facial pelo Instituto Superior de Saúde do Alto Ave – ISAVE, em 2010.
Terapeuta da Fala de uma IPSS – Associação da Creche de Braga – desde 2008. "Trabalho, essencialmente, com crianças (dos 6 meses aos 10 anos) ao nível da intervenção precoce. A minha experiência profissional é, predominante, com crianças e multideficiência – perturbações da comunicação; alterações de linguagem, fala e motricidade oro-facial; perturbações da leitura e escrita. De momento não trabalho em nenhuma clínica, no entanto, faço domicílio na zona de Braga". 

Terapeuta Filipa Santos
Licenciatura em Terapêutica da Fala, pela Universidade Fernando Pessoa.
Pós-Graduação em Motricidade Oro-facial, pelo Instituto Superior do Alto Ave.
A exercer funções como Terapeuta da Fala desde 2007, essencialmente com crianças e jovens.
Locais de trabalho: Agrupamentos de Escolas (Unidades de Multideficiência e Autismo); Gabinetes/Clínicas na Maia e em V.N. de Gaia. 

Terapeuta João Canossa Dias

ESTSP - IPP - Licenciatura em Terapia da Fala
FPCEUC - Mestrado na área de Ciências da Educação
Local de Trabalho: ARCIL - Lousã
http://www.arcil.org/ 

"Missão: Desenvolver a competência comunicativa no cliente e nos outros e tornar a Comunicação Acessível a TODOS!"

Terapeuta Lurdes Morim
Licenciatura em Terapêutica da Fala, pela Universidade Fernando Pessoa, em 2006.
Pós-graduação em Motricidade Orofacial, pelo Instituto Superior do Alto Ave, em 2010
"Exerço funções como Terapeuta da Fala em Barcelos e em Vila do Conde, em Instituições e numa Clínica, onde tenho o prazer de intervir nas diferentes áreas da Terapia da Fala - linguagem , fala (articulação verbal, voz) motricidade orofacial e disfagia - e com faixas etárias compreendidas entre os 3 e os 95 anos :)"

Terapeuta Maria João Sousa

Terapeuta da Fala pela Escola Superior de Tecnologias de Saúde do Porto.
Mestranda do curso Psicologia da Educação pela Universidade do Algarve
"Como o maior prazer, sou a Terapeuta da Fala de crianças e jovens únicos, lindos e admiráveis, com necessidades educativas especiais, no domínio da Comunicação, Linguagem e Fala. Atualmente, exerço no Agrupamento Vertical de Escolas das Ferreiras e no Agrupamento Vertical de Escolas do Algoz, enquanto Escolas de referência, com Unidades de Ensino Estruturado para alunos com Perturbações do Espectro do Autismo".        Contacto:  m_joao_s@hotmail.com Tlm: 919427563
   
Terapeuta Patrícia Nogueira
Licenciada pela ESTSP
Mestre em Ciências da Fala
"Desempenho funções no Laboratório de Audição e Terapia da Fala da Universidade do Algarve.
A Terapia da Fala é um mundo de descoberta constante onde o olhar, a atenção e a partilha permitem a descoberta e o crescimento dia a dia.
 Intervenho junto de casos privados na cidade de Faro, em especial crianças e adultos com alterações vocais." 

Terapeuta Sónia Silva Ribeiro
Licenciada em Terapêutica da Fala pela ESTSP 
"Exerço na FIsiorad em Felgueiras, na Casa de Saúde de Guimarães e na Clínica Santa Marta nas Caldas das Taipas. A Terapia da Fala move-me enquanto profissional mas, ainda mais, enquanto pessoa. É excepcional acompanhar e ajudar crianças e pais na caminhada do desenvolvimento da Comunicação, da Linguagem e da Fala. Nessa relação, a conquista de pequenas vitórias torna-se muito gratificante".
Contacto:sonianjos2@gmail.com 





segunda-feira, 5 de março de 2012

"Quito, quito, quito, ..."


Aqui há uns anos trabalhava num gabinete em que uma das funções que tinha era fazer rastreios em escolas e infantários que solicitassem a nossa deslocação. Numa dessas vezes conheci um pequenino de 3 anos que a educadora descreveu como sendo "o mais atrasado na fala". Como habitual, nestas situações nunca levo nada muito dirigido, por vezes até escolho algumas brinquedos ou livros das salas para os deixar menos inibidos e sigo um bocadinho a iniciativa deles. Neste caso acabou por ser um livro bem colorido e com várias imagens fotográficas. Abrimos o livro, ainda sem que o menino tivesse estabelecido contacto ocular comigo, me tivesse dito o nome ou qualquer outra coisa, e ele começou a explorar: apontava rapidamente várias imagens e nomeava todas com "quito". A minha inexperiência na altura não me permitiu ver logo do que se tratava. A educadora explicou-me que a mãe via diariamente antes de dormir livros com imagens na tentativa de lhe ensinar palavras, já que ele não falava ainda. Só aí se fez um click: "O que é isto? O que é isto?"




Escolhi este exemplo para relembrar como os modelos linguísticos nestas idades podem ser tão importantes. A fase do primeiro para o segundo ano caracteriza-se por imensas aquisições (e saliento que a compreensão da linguagem antecede sempre seis meses a sua produção), pelo que o adulto cuidador deve usar um modelo linguístico de fácil imitação. 

Neste sentido, é fundamental evitar o uso de diminutivos: ao dizer “casinha”, “florzinha” ou “gatinho” em vez das palavras correctas só estará a contribuir para atrasar a produção dessa mesma palavra. Usar diminutivos aumenta o número de sílabas, tornando-a mais complexa e, além disso, os sons /z/ e /nh/ são mais difíceis de articular, razão porque surgem mais tarde no desenvolvimento articulatório da criança.

No dia-a-dia procure antecipar verbalmente as situações que vão acontecendo e nomeie as diferentes fases. Esta atitude irá permitir que o seu filho ganhe confiança perante as situações novas, contribuindo para a sua participação. Nestes momentos use vocabulário adequado ao contexto, que seja funcional. A título de exemplo, não importa que a criança saiba a palavra “leão” se as palavras “cão” ou “gato” ainda não são usadas e, principalmente, se fizerem parte do seu quotidiano.

Neste processo, o cuidador deve dar a hipótese de a criança aumentar a qualidade e a quantidade do seu vocabulário, usando “expansões semânticas” , ou seja usar mais palavras para descrever um conceito que a criança já conhece. Por exemplo, para a palavra “bola” podemos usar diferentes adjectivos, tais como: “grande”, “azul”, “dura”, …

Hoje deixo uma sugestão aos pais: analisem os modelos linguísticos que propõem aos vossos filhos e procurem fazer um julgamento da assertividade com que o fazem.    



Imagem retirada da Internet. 
Fonte: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 

domingo, 4 de março de 2012

Amar é educar...


Hoje decidi interromper o tema "Antes de Falar já Comunico" para abordar um dos temas de conversa que mais surge no dia-a-dia: comportamento!


Muitos dos pais queixam-se do comportamento dos filhos, do facto de não pararem quietos, da dificuldade em cumprir tarefas e, com frequência, da desobediência. Sinceramente, não me parece que haja uma “receita” que resulte com todos e as estratégias a usar dependem da criança, dos contextos em que está inserida e da idade. Contudo, aquele que me parece ser um factor determinante é a atitude dos pais perante as “malandrices” dos filhos. Por norma, as crianças comportam-se de forma diferente com diferentes interlocutores porque sabem o que esperar de cada um. A consistência do comportamento do cuidador é muito importante bem como a atitude que temos perante as birras e as “teimosias” das crianças. Importa relembrar que elas aprendem muito por imitação e que os modelos que lhes damos agora terão sérios reflexos nos adultos que se virão a tornar. 

Não pretendo aqui analisar aspectos comportamentais das crianças, no entanto acho sensato antes de afirmarmos que existe uma situação de mau comportamento tentar perceber se existem factores que poderão estar a causar essas atitudes. Alguns dos acontecimentos que poderão causar stress ou ansiedade estão relacionados com as mudanças na rotina da criança, como mudar de casa, discussões familiares prolongadas ou graves, divórcio dos pais, acidente ou perda de alguém querido, nascimento de um irmão, acontecimentos que afectem a estabilidade dos pais (desemprego, doença, questões legais, …).  

O comportamento não é algo que seja sempre estável nem que possamos controlar de forma constante e muitas vezes temos que nos questionar se são as crianças que estão a ser “birrentas” ou se somos nós. Será que hoje não estou um pouco mais ansiosa/o ou agitada/o? Noutra situação eu chamaria na mesma à atenção? Por vezes, vejo os pais ralhar aos filhos porque estavam a fazer uma brincadeira adequada à idade (sim, porque é importante nos lembrarmos que eles não tem que se comportar como adultos, eles são crianças por isso brincam, mesmo quando queremos estar sossegados a conversar no café ou a fazer compras, …) mas não o fazem quando eles são mal educados com alguém ou desrespeitam alguma regra que conhecem e que já foi imposta antes. Esta inconsistência “confunde” a criança e não contribui para a sua estabilidade comportamental, havendo mais tendência para a manipulação.

Este é sempre um assunto de que se poderia falar durante muito tempo e será certamente novamente abordado aqui no blog. Hoje deixo algumas linhas de orientação básicas para usar no dia-a-dia.

- Quando a criança procura manipular o adulto através do “chorinho”, das queixas, amuos, insistindo muito, é fundamental ter mais força de espírito e não se deixar vencer pelo cansaço. Tenha alguma atenção ao uso de recompensas (dar doces, pequenas prendas, …) pois se for usado muitas vezes rapidamente se torna na moeda de troca e só se portam bem quando são recompensadas.



- Procure evitar as chantagens com a criança porque elas aprendem com os exemplos dos pais e com o tempo “o feitiço vira-se contra o feiticeiro”.



- Diga-lhe claramente o que pretende, não dê ordens contraditórias ou pouco explícitas.

- Procure evitar frases do tipo “Vem aí o velho”, “Vou chamar o polícia” ou “Vou dar-te aos ciganos”. Além de ser uma mentira, só contribui para aumentar sentimentos de insegurança e, consequentemente, alguma agressividade de defesa.

- Quando a criança faz uma birra, deve deixar que esperneie, chore, grite, enfim… deixe que a birra passe sem oferecer nada para que ela se acalme (só está a valorizar a birra). Quando a criança acalmar explique-lhe com calma e sem julgamentos que não é assim que obtém o que pretende. Depois de se ter acalmado deve ser valorizada por o ter conseguido, sem o seu desejo ter sido satisfeito.

- Se a criança faz frequentemente birras é porque já percebeu que essa é uma forma de manipulação que funciona consigo, assim sendo está na hora de alterar algo na sua atitude. Primeiro, dê atenção à criança quando ela se portar bem: encoraje e elogie o bom comportamento. Estabeleça uma rotina, pois quando as crianças sabem o que as espera tem mais tendência a estar mais calmas e a fazer menos birras. Quando ela inicia uma birra, não valorize, ignore e se possível mude de divisão da casa.

- Lembre-se que as crianças gostam de testar os limites dos adultos. Quando lhe diz “não” deve manter a sua palavra até ao fim. Se não o vai conseguir fazer então não o faça. Como dizia a minha sobrinha aqui há dias “não é não!” (aprendeu na escola). E acontece o mesmo com os castigos ou retirada de privilégios. Não faça aquilo para que não está preparado. Com frequência oiço na clínica: “portaste-te mal, hoje não há televisão!” mas quando questiono se o pai/mãe vai ser capaz de manter a televisão desligada lá em casa o dia todo, a resposta “Não, é só até chegar a casa, é só para ele ter medo”! Sinceramente, acham que a criança leva a sério? 

O mais importante nos castigos é o que se transmite através deles, não explore exaustivamente o porquê do castigo mas diga-lhe a razão. Seja claro e firme e dê castigos proporcionais às asneiras. 

Como casal, não se devem contrariar um ao outro nem quebrar as regras impostas por um dos pais. Quando não concordam discutam em privado o assunto e tentem encontrar um meio termo antes de agir. Tenham bem presente que aprender a lidar com os “nãos” é fundamental para o crescimento psicológico da criança, que lhe permite desenvolver mecanismos de defesa para lidar com as frustrações da vida. Quando não somos assertivos neste aspecto, e tentamos evitar que as crianças sintam tristeza ou frustração porque os queremos proteger, corremos o risco de transformá-los em pessoas frágeis e com mais dificuldade para lidar com os viés que a vida lhes vai trazer.  

- Será que educar está sempre relacionado com repreensão? Ou será antes com respeito? Será necessário uma palmada para que eles respeitem? Como posso ter uma atitude mais positiva?
Deixo estas questões para uma próxima publicação…

Imagens retiradas da Internet

quinta-feira, 1 de março de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#7


Ajude o seu filho a fazer um comentário ou uma pergunta.

- Mude uma actividade familiar… e espere! Por vezes, em vez de interromper uma actividade já habitual (como sugeri no tópico anterior) poderá alterar a sequência com que a realiza ou fazer algo que eventualmente está fora do contexto. A surpresa cria a oportunidade para que o seu filho inicie uma interacção através de um comentário ou uma pergunta. Por exemplo, na actividade de vestir experimente colocar o sapato na mão. Não se esqueça que poderá expandir o comentário do seu filho ou dar significado a uma expressão interrogativa da parte dele.



- Esconda objectos em lugares inesperados e… espere! Deixe que o seu filho encontre e se surpreenda. Dê-lhe tempo para que ele comente.





- Quando as coisas correm mal…espere! Todos os dias vão surgindo pequenos problemas ao seu filho, tais como o jogo que caiu, os lápis que se partiram, um brinquedo que está longe, a bolacha que caiu ao chão, … Em vez de se prontificar a resolver estas situações rapidamente espere alguns segundos para ver o que diz o seu filho. Finja que não viu se necessário. Desta forma cria mais uma oportunidade para que o seu filho comente ou chame a sua atenção.  


Fonte: 
Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 

Imagens retiradas da mesma fonte.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#6


Crie oportunidades para que o seu filho tome a iniciativa.

Uma das coisas que mais oiço de pais que chegam ao meu consultório com filhos que ainda não falam ou “falam pouco” é que ele é preguiçoso, que entende mas que não se esforça para falar, que é algo passivo na interacção. Então, hoje decidi partilhar algumas sugestões que poderão ajudar a criar mais oportunidades para que a criança tome a iniciativa.
É bem possível que não veja o resultado destas ideias de imediato, este poderá ser um processo até algo frustrante para ambos. No entanto, não significa que não terá efeitos posteriores. Assim, se cria uma oportunidade e o seu filho não toma a inicativa, mostre-lhe o que ele poderia ter feito ou dito e continue a realizar a actividade. Ele verá o seu exemplo e é possível que da próxima vez inicie a interacção.

Ajude o seu filho a pedir! Em vez de se apressar a dar-lhe algo que sabe que ele quer procure criar uma situação em que ele tenha que pedir. Veja os exemplos:

- Coloque um dos seus objectos/brinquedos preferidos longe do seu alcance mas no seu campo de visão e espere! Espere que o peça e dê-lho assim que ele o fizer.  
              
  
- Ofereça um pouco e… espere! Em vez de lhe dar um bocado grande de algum alimento (maçã, pão, bolacha, sumo, …), dê-lhe apenas um pouco e espere que ele peça mais. Quando ele o fizer (adulto: “Sumo! Mais sumo!”) dê mais um pouco e espere novamente.



- Escolha uma actividade que o seu filho não possa realizar sem ajuda e… espere! Pegue em brinquedos de corda, com música ou que tenha algum dispositivo que ele não consiga accionar sem ajuda e inicie a interacção, mas sem a prolongar por muito tempo. Pare e espere, para criar oportunidade para que o seu filho peça ajuda. Quando ele o fizer repita a actividade mas dê “pouca corda” ao brinquedo para que se crie nova oportunidade.


- Dê-lhe opções de escolha e… espere! Pegue em dois brinquedos ou dois alimentos e deixe-o escolher, seja através do apontar, do olhar ou do nome. Dê-lhe tempo para fazer a sua escolha e valorize as suas iniciativas comunicativas.



- Realize por alguns momentos uma actividade já habitual e… espere! Realize actividades que já costuma fazer, tais como “cavalinho”, cócegas, canções, atirar o carrinho de um para o outro, atirar a bola, … e vá interrompendo a actividade, faça pequenos intervalos para que o seu filho possa pedir continuidade.



De uma forma geral, estas sugestões são usadas no dia-a-dia pelos pais. Na minha opinião, o mais difícil para as famílias com quem me fui cruzando é dar tempo, gerir as suas ansiedades e a pressão que fazem para que aconteça algo. Quando falo em dar tempo, não significa ficar à espera porque sim. Dar tempo deve surgir após iniciar uma cadeia de interacção e deve ter como propósito a iniciativa da criança. Não desista se ele não participa de imediato!

Na próxima publicação darei algumas sugestões para ajudar o seu filho a fazer um comentário ou uma pergunta. 


Fonte: 
Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 

Imagens retiradas da mesma fonte.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#5

NOMEAR

Significa dar nomes à realidade, explorando verbalmente o mundo.
Repare na actividade está a ser desenvolvida através do seguinte diálogo:

            
- Põe. Encaixa. Boa!
- Queres mais? Vá, isso. Assim, põe outra vez.
- Isso mesmo, boa!
- Outra? Pega.
- Isso!!



Repare como quando lemos esta amostra de discurso do adulto enquanto faz um jogo de encaixe se verifica pouco conteúdo, comparativamente com a amostra de discurso seguinte:
                - Tiraste a bola!...
                - Olha, é uma bola!
                - A bola é vermelha… e agora… vamos pôr a bola dentro da casa!
                - A bola está dentro da casa. Boa!

É importante evitar o uso de palavras vazias em detrimento de palavras preenchidas de significado.
Usar os nomes das coisas ajuda a “tirar o medo do desconhecido” ao longo do desenvolvimento expressivo.

Deixo uma sugestão para os pais: tentem observar-se um ao outro a brincar com o vosso filho ou filmem um momento de brincadeira e analisem o conteúdo do vosso discurso, imaginando se não conhecessem o contexto da brincadeira se conseguiam perceber a situação que está a acontecer. 


Imagem retirada da Internet
Fonte: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#4




Ollhos de Coruja, será?







Observar...
é bem mais do que apenas ficar passivamente a ver as coisas. Implica colocar os cinco sentidos a funcionar, captando todas as mensagens da criança, por mais pequenas que possam parecer, tais como gestos, sons, o choro, o olhar, as expressões faciais, … 


Dedique-se a observar a linguagem corporal do seu filho e a tentar decifrar as suas mensagens. Poderá aprender muito acerca do que lhe interessa... Compartilhe momentos com o seu filho! Nem sempre aquilo que nos parece mais óbvio é o que mais atrai a criança.  


Importa observar sem fazer juízos de valor, sem acrescentar adjectivos não produtivos e que não contribuam para a compreensão da situação observada. 

Imagens retiradas de: Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 
Fontes: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 
Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto.