terça-feira, 20 de março de 2012

A importância dos pais

Tendo sido ontem o dia do pai e, apesar de achar que o dia do pai, o dia dos pais (!), é todos os dias ou a família não estivesse presente todos os dias, decidi falar um bocadinho sobre a importância da interacção entre os pais e as suas crianças ao longo do desenvolvimento.

Muitos estudos têm demonstrado que a interacção parental influência o desenvolvimento de competências intelectuais e sociais da criança. É através da interacção com o outro que se aprende a lidar com as regras sociais e comunicativas e, neste processo, os pais são promotores de aprendizagem.

De uma forma geral, a investigação tem mostrado que pais assertivos e responsivos dão maiores oportunidades para um desenvolvimento positivo em crianças que possam estar em risco (mesmo quando comparadas com outras crianças que vivem em condições mais favoráveis e com estatuto sócio-económico mais elevado, mas com práticas parentais negativas).


A qualidade das interacções parentais é fundamental no desenvolvimento comunicativo da criança, pois é através das trocas diárias que pais e filhos interagem e se influenciam mutuamente. Assim, pais que respondem e interpretam as iniciativas da criança, seguindo o seu foco de atenção, interesses e motivações contribuem de forma positiva para o desenvolvimento da linguagem, comparativamente com pais que ignoram as iniciativas da criança ou dirigem a sua atenção para outros referentes que não o seu foco de atenção.

Em caso de existir risco para o desenvolvimento da linguagem é aconselhável procurar ajuda. Os pais terão que ser instruídos para se adapatarem às competências actuais dos seus filhos e para interpretarem de forma clara e evidente as intenções comunicativas não-verbais  das crianças.

O papel dos pais é educar e amar, mas em certas circunstâncias também precisam de ser "educados"!


Quando comecei a trabalhar era raro aparecerem na consulta ambos os pais, era como se a terapia da fala fosse "coisa de mães". Actualmente, sinto que os pais-homens são mais participativos no dia-a-dia dos filhos e é frequente na primeira consulta ter o pai e a mãe, ambos a demonstrar interesse, a fazer perguntas e a tentar ajustar-se. Por vezes, vem primeiro a mãe e seguir já traz o pai também. Sinto que os pais-homens vêm sempre um pouco mais envergonhados no início mas acabam por se revelarem boas surpresas: conhecem bem as rotinas, os gostos, as competências e as dificuldades dos filhos. 

Devo dizer que em matéria de brincadeira o meu pai sempre foi muito disponível e próximo. Que a intimidade e a confiança também se desenvolve a brincar e que aprendi muito com o meu pai! Não consigo deixar de dizer que fui e sou uma sortuda :)
   
Imagens retiradas da Internet

sábado, 17 de março de 2012

Dormir nem sempre é fácil!

Hoje não trago um tema directamente relacionado com a terapia da fala ou o desenvolvimento comunicativo, mas que ainda assim faz parte da vida dos pais com quem me cruzo. 


As questões do sono são sempre algo difíceis de gerir com a criança e entre o casal, mais os palpites das avós, dos amigos, ... Enfim! Como ainda não tenho filhos não posso partilhar a minha experiência, por isso procurei a opinião de um especialista, daquelas não radicais e que só contribui para angustiar os pais. Sim, porque é esta sensação que me transmitem a maior parte deles, angústia e, por vezes culpa. 



Considero que, como já referi em outros post's, a rotina é importante, bem como o cumprimento de regras. Existem diversos livros com conselhos, planos, repletos de dicas,  que se puderem vale a pena ler com atenção. Contudo, partilho da opinião do médico do artigo que hoje trago, que refere que cada criança é diferente das outras e que as regras não funcionam com todos. Há bebés realmente irritáveis. Dormir com os pais? Bem... promover autonomia é importante, Amar também! O truque parece-me estar num conjunto de comportamentos e não num único. Seja assertivo durante o dia com os comportamentos do seu filho. Não lhe transmita que se sente culpado com algo e seja carinhoso para lhe dar segurança.     


De acordo com o Especialista: «As regras não servem para todos» Pôr um bebé a dormir com os pais é ou não um erro do ponto de vista educacional? De todo, diz Pedro Caldeira da Silva, pedopsiquiatra do Hospital Dona Estefânia. Pode até ser a solução para alguns problemas. O médico dá o exemplo dos bebés irritáveis ou difíceis de acalmar. Dormir com os pais é, por vezes, o caminho para a tranquilidade. Esse é, aliás, um dos conselhos terapêuticos que frequentemente dá quando lhe surgem casos desses. O medo de que os bebés se tornem «mimados» ou cheios de vícios por dormirem com os pais é infundado, esclarece Pedro Caldeira da Silva. «Dormir em família pode ajudar a regular o sono. Os bebés tornam-se mais calmos e os pais mais tranquilos.» Cada bebé é um bebé, diz Pedro Caldeira da Silva, e há bebés que «para se sentirem bem, precisam de dormir com os pais.» Outros não. É por isso que o médico raramente dá conselhos sobre o sono das crianças. «O que eu digo aos pais é: conheça o seu bebé.» Tal como os adultos, «as crianças têm necessidades individuais e características diferentes. Nenhuma regra serve para todas.» Desaconselhar (ou aconselhar!), genericamente, o cosleeping é, por isso, simplista. «Os especialistas metem-se muito onde não são chamados, inclusive na cama dos pais. Há muitas maneiras de adormecer um bebé.» 

in "Pais & Filhos"


 E você, o que fez ou faz na hora de dormir? E quando o bebé acorda a meio da noite?

Não existem respostas mais verdadeiras que outras...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Respiração Oral...Informe-se!


Nesta época do ano, por ser primavera, fala-se sempre mais de respiração oral, em parte porque os processos alérgicos se agravam.
Ser Respirador Oral , ou seja respirar pela boca, é uma adaptação patológica, muitas vezes inconsciente, que resulta da dificuldade em respirar pelo nariz. Por norma, é uma compensação!

A obstrução nasal e decorrente respiração oral pode ter várias causas, de entre as quais:
- hipertrofia das amígdalas ou das adenóides (quando são grandes deixam menos espaço para o ar passar e a criança respirar);
- rinites
- sinusites
- inflamações
- infecções respiratórias crónicas   
- malformações
- desvio de septo
- presença de corpos estranhos

Independentemente da causa, esteja atento a algumas características típicas e que poderá identificar facilmente como sintomas de Respiração oral, ainda que algumas delas poderão já ser tidas como consequências:

  • boca aberta durante o dia ou lábios entreabertos com a língua "no meio" dos dentes
  • ronco
  • sono agitado
  • dificuldade em respirar durante o sono
  • olheiras 
  • baba durante o sono
  • sonolência diurna, com agitação (por vezes agressividade) ou apatia
  • dificuldade em concentrar-se nas actividades
  • dor de cabeça de manhã
  • falta de apetite e de prazer em comer (muitas vezes preferência por alimentos líquidos e pastosos)
  • dificuldades em identificar odores
  • cansaço
  • infecções respiratórias frequentes.

Esteja atento e caso verifique alguns destes sintomas fale com o seu médico de família ou, se tiver oportunidade, procure um otorrinolaringologista para uma avaliação mais específica. 

Tenha presente que as infecções frequentes nas vias respiratórias superiores podem levar à ocorrência de otites repetitivas, podendo diminuir a capacidade auditiva durante alguns períodos de tempo. Esta diminuição da capacidade auditiva poderá ter repercussões significativas no desenvolvimento da linguagem. no comportamento, na capacidade de atenção e aprendizagem, com prejuízo a nível escolar.      


Tratar a respiração oral deve ser uma preocupação desde cedo, de modo a evitar ainda comprometimentos a nível do crescimento da face e alterações dentárias. Desde que tratada precocemente é possível evitar danos de natureza permanente e proporcionar à criança uma melhor qualidade de vida (e à família também, porque noites mal dormidas e dias agitados são difíceis para todos!). 
  
Após a avaliação do médico há a necessidade de reequilibrar o tónus e a postura dos orgãos fonoarticulatórios, realizando exercícios específicos para tal, bem como adequar as funções que possam estar alteradas, ou seja, além da fala, a mastigação ou a deglutição. Nesta fase, procure um Terapeuta da Fala

Se tem dúvidas... Informe-se! Não espere...


Imagens retiradas da internet
Fonte:
Aulas de "Respiração oral", leccionadas pelo Terapeuta Ricardo Santos, na Pós-Graduação de Motricidade Orofacial, Isave, 2009-2010. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Brincar...com uma caixa de formas!

Uma das perguntas que me fazem com frequência, logo nas primeiras sessões, é se recomendo brinquedos específicos ou se os que têm lá em casa serão adequados. Por vezes, acontece que de facto os brinquedos são demasiado infantis... Mas de uma forma geral, parece-me que explorar o brinquedo de forma adequada é o mais complicado, ou... sentir confiança na forma como o fazem parece ser o maior desafio para alguns pais!

Escolhi um jogo que de uma forma geral existe em quase todas as casas: uma caixa de formas!


Bebé
  • Coloque a caixa de formas e várias formas coloridas em frente ao bebé e deixe-o brincar livremente.
  • Converse com o bebé sobre o que ele está a fazer, deixando-o manusear os objectos.
  • Deixe o bebé descobrir como abrir a caixa. Esvazie a caixa de formas e diga ao bebé que volte a enchê-la. Mostre-lhe o que pretende.
  • Faça turnos de brincadeira, ora põe a mãe, ora o bebé!
Este tipo de actividade permite desenvolver a noção de vez na interacção, a coordenação entre as mãos e os olhos, bem como a competência para manusear objectos. 

Crianças de 1 a 3 anos
  • Enquanto a criança brinca com as formas e as despeja, deixe-a explorar a forma como cada peça encaixa no orifício correspondente.
  • Diga o nome da forma da peça manuseada pela criança e peça-lhe que encontre o respectivo orifício na caixa.
  • Deixe a criança aprender a rodar as mãos e os pulsos ao tentar colocar uma peça na caixa.
A realização desta actividade permite a exploração de um brinquedo, desenvolvendo noções de cor, formas diferentes, orientação espacial e causa-efeito.
Ao longo da actividade dê-lhe tempo e evite as perguntas sem conteúdo.  Comente, nomeie e siga a iniciativa do seu filho.

Crianças de 4 a 6 anos

  • Deixe a crianças praticar e brincar com a caixa de formas sozinha.
  • Crie um jogo em que têm de introduzir as formas na caixa uma de cada vez, o mais depressa possível.
  • Coloque as peças no chão ou em cima de uma mesa e peça à criança para mostrar onde estão as estrelas, os rectângulos, os triângulos, os círculos. Se não conseguir encontrá-los, mostre-lhe quais são e solicite-lhe novamente que os encontre.
Além do vocabulário que adquirem, desenvolvem competências de jogo  em interacção com o outro. 

Brinque... Divirta-se!


Fonte:
"Kit de desenvolvimento da primeira Infância: Guia de actividades", Unicef
Imagens retiradas da mesma fonte.

quarta-feira, 14 de março de 2012

O poder da brincadeira...

A criança é curiosa desde que nasce. Quer aprender e compreender o seu mundo. Os primeiros cinco anos são o período de crescimento mais acelerado do cérebro da criança durante a sua vida. As primeiras experiências da criança determinam o desenvolvimento do seu cérebro. As aquisições iniciais da criança preparam o terreno para seu êxito na escola.


Boas experiências iniciais promovem o bom desenvolvimento do cérebro da criança! Quanto mais o cérebro trabalha, maior a sua capacidade de trabalhar. Ora, quando a criança brinca, o seu cérebro trabalha muito. É a brincar que a criança aprende e se descobre, pois para ela é natural brincar.


Brinca durante as rotinas diárias. 
Brinca durante as experiências educacionais que lhe são proporcionadas. 
Pense num bebé que começa a brincar de esconde-esconde quando você puxa a roupa sobre sua cabeça. A menina de um ou dois anos que lê para sua boneca imitando a forma como você lê para ela. 
Ou a criança de três ou quatro anos que faz uns rabiscos e marcas numa folha de papel que você coloca na mesa e anuncia com orgulho: “Escrevi meu nome”!

Às vezes pode parecer que não está a acontecer muita coisa. Encher um balde com pequenos objectos e depois despejá-los talvez pareça lhe pareça a si entediante. Brincar com blocos parece simplesmente um exercício de empilhar e derrubar. Mas a brincadeira está cheia de oportunidades para a criança aprender e desenvolver novas competências. Ao brincar, a criança utiliza todos os seus sentidos – audição, visão, paladar, tacto, olfacto e movimento – para recolher informações sobre o seu mundo. Mais tarde, a linguagem será outro meio de adquirir informações. Organiza e reorganiza essas informações, transformando-as nas primeiras imagens de si própria, outras pessoas e o seu ambiente. 
Em próximas publicações irei abordar como explorar diferentes brinquedos de acordo com a idade. Acompanhem!

Imagens retiradas da Internet
Texto ligeiramente adaptado de: "Kit de desenvolvimento da primeira Infância: Guia de actividades", Unicef

segunda-feira, 12 de março de 2012

Gaguez Fisiológica... O que é? O que fazer?

Ontem falei Aqui que por volta dos 3 anos pode surgir uma Gaguez pontual e passageira que é denominada de Gaguez Fisiológica.


Entre os 30 e os 36 meses a aquisição de vocabulário diária acontece de forma mais intensa e as ideias da criança aumentam de forma significativa comparativamente com a sua capacidade de expressão no momento. Desta forma, é normal que passem por um período de seis meses em que apresentam características de uma forma de gaguez.

Neste intervalo de tempo o seu filho poderá "tropeçar" um bocadinho nas palavras, começando uma palavra e parando a meio para começar outra, ou estar frequentemente a fazer autocorrecções das suas próprias produções, o que resulta num diálogo entrecortado. Também poderá acontecer a criança falar durante o ar de inspiração, o que dá a ideia ao ao ouvinte de sufoco e atropelo das palavras.


Nesta fase, os pais devem adoptar uma postura que respeita alguns princípios a fim de evitar um possível estabelecimento de uma gaguez crónica e verificar que a sua duração não ultrapassa os 6 meses considerados normais.

Nunca acabar as frases antes de a criança as ter acabado por inteiro. Este é um princípio básico para prevenir a instalação da gaguez. Dê tempo à criança para ultrapassar as disfluências (pausas, repetições, prolongamentos de sons) sem esforço. Não apresse a criança a acabar aquilo que está a dizer e evite interrompê-la. Espere pacientemente que ela acabe, mostrando que esteve a ouvir o que ela disse. Quando interrompemos alguém que se está a tentar exprimir mostramos desrespeito pelas suas ideias e encorajamos a desistência.

Nunca obrigue alguém que está a gaguejar a falar mais devagar. Esta atitude só contribui para que a criança se sinta mais constrangida. Neste sentido, não verbalize "Fala devagar" ou "Tem calma". Pelo contrário, deve encorajar a sua expressão global, favorecendo qualquer tipo de expressão linguística, deixando-o exprimir-se livremente.

A nossa reacção espontânea e imediata à disfluência da criança será um factor de enorme peso. É normal os pais ficarem  preocupados quando a criança repete ou prolonga muito uma sílaba ou um som em determinada palavra, como por exemplo «sssssssapato». Embora fique preocupado, não peça à criança para repetir várias vezes a palavra, para se certificar que ela consegue dizer sem prolongamento. Isso só irá criar ansiedade na criança e fá-la-á tomar consciência de que algo não está bem com a sua fala. Oiça apenas o que ela tem para dizer, sem  se mostrar preocupado ou ansioso com a forma como ela o diz. Elogie as suas ideias. Diga-lhe que gosta de ouvir o que ela tem para dizer.

Atenção à linguagem usada com a criança! Deverá adaptar a linguagem à idade da criança, sem ser necessário infantilizá-la. Utilize uma linguagem funcional e concreta. Diminua a extensão das frases que diz à criança - devemos repartir as frases que usamos e  os pedidos que lhe fazemos. Dê uma instrução de cada vez, de forma a reduzir a quantidade de coisas que a criança tem que se lembrar e consequentemente a pressão e ansiedade. 

Respeite o ritmo do seu filho sem o tornar num problema de expressão!


Fontes:
Rigolet, S. (2002). Os três P: Precoce, Progressivo, Positivo – Comunicação e Linguagem para uma plena expressão. Colecção Educação Especial. Porto: Porto Editora.

Gaiolas, M. (2010) Gaguez da infância à adolescência. Edições Vogais e Companhia, Cascais.

Imagens retiradas da Internet



domingo, 11 de março de 2012

O que devo esperar aos 2 anos? E aos 3 anos?

Hoje resolvi falar um bocadinho de desenvolvimento da linguagem, de uma forma não exaustiva e que seja facilmente entendida por todos. A nível da linguagem podemos falar de competências de compreensão e de expressão, que envolvam as dimensões do vocabulário (semântica), da organização das palavras nas frases (sintaxe), da formação de palavras (adjectivos, plurais, concordâncias, ... - morfologia), percepção e produção de sons para formar palavras (fonologia) e uso de todas estas competências num contexto social (pragmática). 


Como pai/educador como posso saber o que esperar em cada idade?
A resposta a esta questão implica saber alguma informação e capacidade de observação para tentar verificar as competências que menciono hoje. Esteja atento durante as brincadeiras que faz com a criança, na sua interacção com outras crianças e não se cinja a acontecimentos isolados. 

Importa ter presente que os marcos de desenvolvimento da linguagem são atingidos mais ou menos na mesma idade por todas as crianças e que é necessário que haja oportunidade para que esse desenvolvimento ocorra. Contudo, existem diferenças individuais (herança genética, nutrição, influências culturais, ...) que devem consideradas e que interferem com o ritmo de aquisição.

De uma forma geral, as pessoas sabem que por volta dos 12 meses surgem as primeiras palavras, por norma pouco depois de a criança começar a dar os primeiros passos. São palavras simples e que tem um significado representativo de uma frase. Durante o segundo ano de vida, a criança aponta animais, roupas ou brinquedos quando o adulto diz o nome. Usam palavras e também sons que não são palavras mas que parecem uma "conversa". Por volta dos 18 meses começam a combinar 2 palavras (ex.: "papa bebé" ou "popó pai"). Ao longo desta fase a criança começa a entender que determinado objecto serve uma função (a escova é para pentear, o copo para beber, ...).

Dos 2 aos 3 anos
A criança:

- Produz cerca de 200 a 300 palavras.

- Usa frases curtas com 3/4 palavras, maioritariamente com nomes e verbos, do tipo afirmativo ou na negativa. (As perguntas ainda não surgiram, contudo com a entoação parece que o está a fazer.)

- Por volta dos 34 meses usa o "eu".

- Usa verbos regulares no passado e no presente. 


- Realiza generalizações abusivas. Ex: “Eu fazi”, “eu ouvo” e surge o plural;

- Descobre a causalidade (causa-efeito; “porquê?”). O uso do "porque" surge mais tarde (+ou- aos 3 anos e meio). 

- Tem dificuldades em recontar uma história (com suporte visual, consegue expressar algumas ideias ou nomear alguns tópicos). 

- Memoriza a letra de pequenas canções; 

- Produz palavras de carácter social: “obrigado”, “ por favor”; 

- Passa por um curto período de Gaguez pontual e passageira _ gaguez fisiológica (30-36meses), que resulta muito do facto de a criança compreender muito mais do que as suas competências lhe permitem expressar.

- É entendida pelos familiares, na maior parte das vezes (dificuldades em alguns sons e em palavras mais compridas, como “televisão”). 

- Até aos 3 anos diz palavras com os sons:
p, b, m, t, d, n, nh, k, g 

- Até aos 3 anos troca o som /k/ com /g/ (ex..comida-gomida) e pode trocar os sons /f, s/ por /p/ ou /t/ (ex.: faca-paca ou sopa-topa). 


Use o conhecimento destes marcos para estar mais atento e identificar precocemente dificuldades de linguagem  que necessitem de avaliação de um terapeuta da fala. Tem dúvidas? Pergunte... 



Imagens retiradas da Internet




Fontes:
Rigolet, S. (2002). Os três P: Precoce, Progressivo, Positivo – Comunicação e Linguagem para uma plena expressão. Colecção Educação Especial. Porto: Porto Editora.
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora.