terça-feira, 20 de março de 2012

Caixinha de momentos...

Vivemos dias em que se ouve falar de crise, de stress, de falta de tempo, dos filhos e da família, do que se dá e do que se recebe... Deixo hoje uma publicação relacionada com o dia de ontem, o dia do pai, que não foi feita, escrita ou pensada por mim, mas que merece todo o destaque... Que a partilha de momentos entre a Sónia, o Martim e o papá vos inspire :)


"A minha amiga e colega terapeuta Daniela pediu-me para partilhar no seu blog a prenda que eu e o meu filho Martim de 2 anos criamos para o Dia do Pai.
Para celebrar esse Dia, eu queria oferecer  ao pai do meu filhote algo de muito especial e que proporcionasse momentos em família.

Criamos a “Caixa de momentos”.


Na “Caixa de momentos” colocamos 12 bilhetes, um para cada dia 19 de cada mês até ao próximo Dia do Pai. Em cada bilhete, um momento:




- Papá, lê-me uma história!

- Papá, dá-me um beijo babado!

-Papá, dá-me um grande xi!

-Papá, vamos tirar uma fotografia!

-Papá, vamos ter uma tarde especial em família!

- ….






Por vezes, esquecemo-nos que são nos pequenos momentos do dia-a-dia que se incutem valores de Família. E, nesses momentos, ao partilharmos uma actividade, ACONTECE COMUNICAÇÃO, ACONTECE LINGUAGEM, ACONTECE DESENVOLVIMENTO.

Saibam viver de pequenos momentos!
Valorizem os momentos vividos em família!"

Sónia Silva Ribeiro
Terapeuta da Fala na clínica Fisiorad, em Felgueiras
sonianjos2@gmail.com 

A importância dos pais

Tendo sido ontem o dia do pai e, apesar de achar que o dia do pai, o dia dos pais (!), é todos os dias ou a família não estivesse presente todos os dias, decidi falar um bocadinho sobre a importância da interacção entre os pais e as suas crianças ao longo do desenvolvimento.

Muitos estudos têm demonstrado que a interacção parental influência o desenvolvimento de competências intelectuais e sociais da criança. É através da interacção com o outro que se aprende a lidar com as regras sociais e comunicativas e, neste processo, os pais são promotores de aprendizagem.

De uma forma geral, a investigação tem mostrado que pais assertivos e responsivos dão maiores oportunidades para um desenvolvimento positivo em crianças que possam estar em risco (mesmo quando comparadas com outras crianças que vivem em condições mais favoráveis e com estatuto sócio-económico mais elevado, mas com práticas parentais negativas).


A qualidade das interacções parentais é fundamental no desenvolvimento comunicativo da criança, pois é através das trocas diárias que pais e filhos interagem e se influenciam mutuamente. Assim, pais que respondem e interpretam as iniciativas da criança, seguindo o seu foco de atenção, interesses e motivações contribuem de forma positiva para o desenvolvimento da linguagem, comparativamente com pais que ignoram as iniciativas da criança ou dirigem a sua atenção para outros referentes que não o seu foco de atenção.

Em caso de existir risco para o desenvolvimento da linguagem é aconselhável procurar ajuda. Os pais terão que ser instruídos para se adapatarem às competências actuais dos seus filhos e para interpretarem de forma clara e evidente as intenções comunicativas não-verbais  das crianças.

O papel dos pais é educar e amar, mas em certas circunstâncias também precisam de ser "educados"!


Quando comecei a trabalhar era raro aparecerem na consulta ambos os pais, era como se a terapia da fala fosse "coisa de mães". Actualmente, sinto que os pais-homens são mais participativos no dia-a-dia dos filhos e é frequente na primeira consulta ter o pai e a mãe, ambos a demonstrar interesse, a fazer perguntas e a tentar ajustar-se. Por vezes, vem primeiro a mãe e seguir já traz o pai também. Sinto que os pais-homens vêm sempre um pouco mais envergonhados no início mas acabam por se revelarem boas surpresas: conhecem bem as rotinas, os gostos, as competências e as dificuldades dos filhos. 

Devo dizer que em matéria de brincadeira o meu pai sempre foi muito disponível e próximo. Que a intimidade e a confiança também se desenvolve a brincar e que aprendi muito com o meu pai! Não consigo deixar de dizer que fui e sou uma sortuda :)
   
Imagens retiradas da Internet

sábado, 17 de março de 2012

Dormir nem sempre é fácil!

Hoje não trago um tema directamente relacionado com a terapia da fala ou o desenvolvimento comunicativo, mas que ainda assim faz parte da vida dos pais com quem me cruzo. 


As questões do sono são sempre algo difíceis de gerir com a criança e entre o casal, mais os palpites das avós, dos amigos, ... Enfim! Como ainda não tenho filhos não posso partilhar a minha experiência, por isso procurei a opinião de um especialista, daquelas não radicais e que só contribui para angustiar os pais. Sim, porque é esta sensação que me transmitem a maior parte deles, angústia e, por vezes culpa. 



Considero que, como já referi em outros post's, a rotina é importante, bem como o cumprimento de regras. Existem diversos livros com conselhos, planos, repletos de dicas,  que se puderem vale a pena ler com atenção. Contudo, partilho da opinião do médico do artigo que hoje trago, que refere que cada criança é diferente das outras e que as regras não funcionam com todos. Há bebés realmente irritáveis. Dormir com os pais? Bem... promover autonomia é importante, Amar também! O truque parece-me estar num conjunto de comportamentos e não num único. Seja assertivo durante o dia com os comportamentos do seu filho. Não lhe transmita que se sente culpado com algo e seja carinhoso para lhe dar segurança.     


De acordo com o Especialista: «As regras não servem para todos» Pôr um bebé a dormir com os pais é ou não um erro do ponto de vista educacional? De todo, diz Pedro Caldeira da Silva, pedopsiquiatra do Hospital Dona Estefânia. Pode até ser a solução para alguns problemas. O médico dá o exemplo dos bebés irritáveis ou difíceis de acalmar. Dormir com os pais é, por vezes, o caminho para a tranquilidade. Esse é, aliás, um dos conselhos terapêuticos que frequentemente dá quando lhe surgem casos desses. O medo de que os bebés se tornem «mimados» ou cheios de vícios por dormirem com os pais é infundado, esclarece Pedro Caldeira da Silva. «Dormir em família pode ajudar a regular o sono. Os bebés tornam-se mais calmos e os pais mais tranquilos.» Cada bebé é um bebé, diz Pedro Caldeira da Silva, e há bebés que «para se sentirem bem, precisam de dormir com os pais.» Outros não. É por isso que o médico raramente dá conselhos sobre o sono das crianças. «O que eu digo aos pais é: conheça o seu bebé.» Tal como os adultos, «as crianças têm necessidades individuais e características diferentes. Nenhuma regra serve para todas.» Desaconselhar (ou aconselhar!), genericamente, o cosleeping é, por isso, simplista. «Os especialistas metem-se muito onde não são chamados, inclusive na cama dos pais. Há muitas maneiras de adormecer um bebé.» 

in "Pais & Filhos"


 E você, o que fez ou faz na hora de dormir? E quando o bebé acorda a meio da noite?

Não existem respostas mais verdadeiras que outras...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Respiração Oral...Informe-se!


Nesta época do ano, por ser primavera, fala-se sempre mais de respiração oral, em parte porque os processos alérgicos se agravam.
Ser Respirador Oral , ou seja respirar pela boca, é uma adaptação patológica, muitas vezes inconsciente, que resulta da dificuldade em respirar pelo nariz. Por norma, é uma compensação!

A obstrução nasal e decorrente respiração oral pode ter várias causas, de entre as quais:
- hipertrofia das amígdalas ou das adenóides (quando são grandes deixam menos espaço para o ar passar e a criança respirar);
- rinites
- sinusites
- inflamações
- infecções respiratórias crónicas   
- malformações
- desvio de septo
- presença de corpos estranhos

Independentemente da causa, esteja atento a algumas características típicas e que poderá identificar facilmente como sintomas de Respiração oral, ainda que algumas delas poderão já ser tidas como consequências:

  • boca aberta durante o dia ou lábios entreabertos com a língua "no meio" dos dentes
  • ronco
  • sono agitado
  • dificuldade em respirar durante o sono
  • olheiras 
  • baba durante o sono
  • sonolência diurna, com agitação (por vezes agressividade) ou apatia
  • dificuldade em concentrar-se nas actividades
  • dor de cabeça de manhã
  • falta de apetite e de prazer em comer (muitas vezes preferência por alimentos líquidos e pastosos)
  • dificuldades em identificar odores
  • cansaço
  • infecções respiratórias frequentes.

Esteja atento e caso verifique alguns destes sintomas fale com o seu médico de família ou, se tiver oportunidade, procure um otorrinolaringologista para uma avaliação mais específica. 

Tenha presente que as infecções frequentes nas vias respiratórias superiores podem levar à ocorrência de otites repetitivas, podendo diminuir a capacidade auditiva durante alguns períodos de tempo. Esta diminuição da capacidade auditiva poderá ter repercussões significativas no desenvolvimento da linguagem. no comportamento, na capacidade de atenção e aprendizagem, com prejuízo a nível escolar.      


Tratar a respiração oral deve ser uma preocupação desde cedo, de modo a evitar ainda comprometimentos a nível do crescimento da face e alterações dentárias. Desde que tratada precocemente é possível evitar danos de natureza permanente e proporcionar à criança uma melhor qualidade de vida (e à família também, porque noites mal dormidas e dias agitados são difíceis para todos!). 
  
Após a avaliação do médico há a necessidade de reequilibrar o tónus e a postura dos orgãos fonoarticulatórios, realizando exercícios específicos para tal, bem como adequar as funções que possam estar alteradas, ou seja, além da fala, a mastigação ou a deglutição. Nesta fase, procure um Terapeuta da Fala

Se tem dúvidas... Informe-se! Não espere...


Imagens retiradas da internet
Fonte:
Aulas de "Respiração oral", leccionadas pelo Terapeuta Ricardo Santos, na Pós-Graduação de Motricidade Orofacial, Isave, 2009-2010. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Brincar...com uma caixa de formas!

Uma das perguntas que me fazem com frequência, logo nas primeiras sessões, é se recomendo brinquedos específicos ou se os que têm lá em casa serão adequados. Por vezes, acontece que de facto os brinquedos são demasiado infantis... Mas de uma forma geral, parece-me que explorar o brinquedo de forma adequada é o mais complicado, ou... sentir confiança na forma como o fazem parece ser o maior desafio para alguns pais!

Escolhi um jogo que de uma forma geral existe em quase todas as casas: uma caixa de formas!


Bebé
  • Coloque a caixa de formas e várias formas coloridas em frente ao bebé e deixe-o brincar livremente.
  • Converse com o bebé sobre o que ele está a fazer, deixando-o manusear os objectos.
  • Deixe o bebé descobrir como abrir a caixa. Esvazie a caixa de formas e diga ao bebé que volte a enchê-la. Mostre-lhe o que pretende.
  • Faça turnos de brincadeira, ora põe a mãe, ora o bebé!
Este tipo de actividade permite desenvolver a noção de vez na interacção, a coordenação entre as mãos e os olhos, bem como a competência para manusear objectos. 

Crianças de 1 a 3 anos
  • Enquanto a criança brinca com as formas e as despeja, deixe-a explorar a forma como cada peça encaixa no orifício correspondente.
  • Diga o nome da forma da peça manuseada pela criança e peça-lhe que encontre o respectivo orifício na caixa.
  • Deixe a criança aprender a rodar as mãos e os pulsos ao tentar colocar uma peça na caixa.
A realização desta actividade permite a exploração de um brinquedo, desenvolvendo noções de cor, formas diferentes, orientação espacial e causa-efeito.
Ao longo da actividade dê-lhe tempo e evite as perguntas sem conteúdo.  Comente, nomeie e siga a iniciativa do seu filho.

Crianças de 4 a 6 anos

  • Deixe a crianças praticar e brincar com a caixa de formas sozinha.
  • Crie um jogo em que têm de introduzir as formas na caixa uma de cada vez, o mais depressa possível.
  • Coloque as peças no chão ou em cima de uma mesa e peça à criança para mostrar onde estão as estrelas, os rectângulos, os triângulos, os círculos. Se não conseguir encontrá-los, mostre-lhe quais são e solicite-lhe novamente que os encontre.
Além do vocabulário que adquirem, desenvolvem competências de jogo  em interacção com o outro. 

Brinque... Divirta-se!


Fonte:
"Kit de desenvolvimento da primeira Infância: Guia de actividades", Unicef
Imagens retiradas da mesma fonte.

quarta-feira, 14 de março de 2012

O poder da brincadeira...

A criança é curiosa desde que nasce. Quer aprender e compreender o seu mundo. Os primeiros cinco anos são o período de crescimento mais acelerado do cérebro da criança durante a sua vida. As primeiras experiências da criança determinam o desenvolvimento do seu cérebro. As aquisições iniciais da criança preparam o terreno para seu êxito na escola.


Boas experiências iniciais promovem o bom desenvolvimento do cérebro da criança! Quanto mais o cérebro trabalha, maior a sua capacidade de trabalhar. Ora, quando a criança brinca, o seu cérebro trabalha muito. É a brincar que a criança aprende e se descobre, pois para ela é natural brincar.


Brinca durante as rotinas diárias. 
Brinca durante as experiências educacionais que lhe são proporcionadas. 
Pense num bebé que começa a brincar de esconde-esconde quando você puxa a roupa sobre sua cabeça. A menina de um ou dois anos que lê para sua boneca imitando a forma como você lê para ela. 
Ou a criança de três ou quatro anos que faz uns rabiscos e marcas numa folha de papel que você coloca na mesa e anuncia com orgulho: “Escrevi meu nome”!

Às vezes pode parecer que não está a acontecer muita coisa. Encher um balde com pequenos objectos e depois despejá-los talvez pareça lhe pareça a si entediante. Brincar com blocos parece simplesmente um exercício de empilhar e derrubar. Mas a brincadeira está cheia de oportunidades para a criança aprender e desenvolver novas competências. Ao brincar, a criança utiliza todos os seus sentidos – audição, visão, paladar, tacto, olfacto e movimento – para recolher informações sobre o seu mundo. Mais tarde, a linguagem será outro meio de adquirir informações. Organiza e reorganiza essas informações, transformando-as nas primeiras imagens de si própria, outras pessoas e o seu ambiente. 
Em próximas publicações irei abordar como explorar diferentes brinquedos de acordo com a idade. Acompanhem!

Imagens retiradas da Internet
Texto ligeiramente adaptado de: "Kit de desenvolvimento da primeira Infância: Guia de actividades", Unicef

segunda-feira, 12 de março de 2012

Gaguez Fisiológica... O que é? O que fazer?

Ontem falei Aqui que por volta dos 3 anos pode surgir uma Gaguez pontual e passageira que é denominada de Gaguez Fisiológica.


Entre os 30 e os 36 meses a aquisição de vocabulário diária acontece de forma mais intensa e as ideias da criança aumentam de forma significativa comparativamente com a sua capacidade de expressão no momento. Desta forma, é normal que passem por um período de seis meses em que apresentam características de uma forma de gaguez.

Neste intervalo de tempo o seu filho poderá "tropeçar" um bocadinho nas palavras, começando uma palavra e parando a meio para começar outra, ou estar frequentemente a fazer autocorrecções das suas próprias produções, o que resulta num diálogo entrecortado. Também poderá acontecer a criança falar durante o ar de inspiração, o que dá a ideia ao ao ouvinte de sufoco e atropelo das palavras.


Nesta fase, os pais devem adoptar uma postura que respeita alguns princípios a fim de evitar um possível estabelecimento de uma gaguez crónica e verificar que a sua duração não ultrapassa os 6 meses considerados normais.

Nunca acabar as frases antes de a criança as ter acabado por inteiro. Este é um princípio básico para prevenir a instalação da gaguez. Dê tempo à criança para ultrapassar as disfluências (pausas, repetições, prolongamentos de sons) sem esforço. Não apresse a criança a acabar aquilo que está a dizer e evite interrompê-la. Espere pacientemente que ela acabe, mostrando que esteve a ouvir o que ela disse. Quando interrompemos alguém que se está a tentar exprimir mostramos desrespeito pelas suas ideias e encorajamos a desistência.

Nunca obrigue alguém que está a gaguejar a falar mais devagar. Esta atitude só contribui para que a criança se sinta mais constrangida. Neste sentido, não verbalize "Fala devagar" ou "Tem calma". Pelo contrário, deve encorajar a sua expressão global, favorecendo qualquer tipo de expressão linguística, deixando-o exprimir-se livremente.

A nossa reacção espontânea e imediata à disfluência da criança será um factor de enorme peso. É normal os pais ficarem  preocupados quando a criança repete ou prolonga muito uma sílaba ou um som em determinada palavra, como por exemplo «sssssssapato». Embora fique preocupado, não peça à criança para repetir várias vezes a palavra, para se certificar que ela consegue dizer sem prolongamento. Isso só irá criar ansiedade na criança e fá-la-á tomar consciência de que algo não está bem com a sua fala. Oiça apenas o que ela tem para dizer, sem  se mostrar preocupado ou ansioso com a forma como ela o diz. Elogie as suas ideias. Diga-lhe que gosta de ouvir o que ela tem para dizer.

Atenção à linguagem usada com a criança! Deverá adaptar a linguagem à idade da criança, sem ser necessário infantilizá-la. Utilize uma linguagem funcional e concreta. Diminua a extensão das frases que diz à criança - devemos repartir as frases que usamos e  os pedidos que lhe fazemos. Dê uma instrução de cada vez, de forma a reduzir a quantidade de coisas que a criança tem que se lembrar e consequentemente a pressão e ansiedade. 

Respeite o ritmo do seu filho sem o tornar num problema de expressão!


Fontes:
Rigolet, S. (2002). Os três P: Precoce, Progressivo, Positivo – Comunicação e Linguagem para uma plena expressão. Colecção Educação Especial. Porto: Porto Editora.

Gaiolas, M. (2010) Gaguez da infância à adolescência. Edições Vogais e Companhia, Cascais.

Imagens retiradas da Internet