domingo, 9 de junho de 2013

Quando se gosta do se faz não há domingos!



Temos andado ansiosas para partilhar o que andamos a preparar. Este projeto não é de hoje nem de agora... Mas a decisão de avançar e, digamos, toda a dinâmica criativa é um processo moroso.


Ao longo destes anos como terapeutas da fala, cada vez é maior o número de crianças já no primeiro ciclo com dificuldades de linguagem, mais especificamente a nível de processamento fonológico, que surgem para terapia numa fase em que a pressão social e a necessidade de resultados na escola é maior. Diversos estudos têm evidenciado uma correlação positiva entre o aumento de competências metalinguísticas e o sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita.
Compete-nos a nós terapeutas da fala sermos mais do que profissionais envolvidos na avaliação e intervenção das alterações da comunicação  e da linguagem, e desenvolver iniciativas no âmbito da prevenção,  preferencialmente a um nível primário. 

Sem dúvida que esta é a base que tem orientado este novo projeto!


Hoje está a ser mais um dia cheio de muitas tarefas e mais logo deixaremos por aqui mais uma pista do que aí vem!!!!

Daniela e Sónia

sábado, 8 de junho de 2013

Mais uns passinhos...


Hoje foi mais um dia intenso, cansativo, com o tempo a esvair-se nem sabemos bem para onde.. mas foi mais um dia feliz e preenchido como têm sido todos os últimos dias!!

"Os Piratinhas" já não são bem os Piratinhas... existia uma ideia... outra ideia... e elas transformaram-se em tantas outras ideias!! E tem sido fantástico... Sentimo-nos a crescer e a aprender e a experimentar coisas novas todos os dias :)

Tem sido um percurso acompanhado por pessoas que nos são queridas e que estão disponíveis paras concretizar as nossas ideias e para as tornar ainda melhores.

Ainda falta muito trabalho... e esperam-nos muitas horas de dedicação... porque a cada hora que passa concretizar ideias parece algo mais possível que antes.

Deixámos aqui hoje uma foto de parte do que andamos a fazer hoje, algures nos intervalos das nossas vidas de terapeutas da fala a tempo inteiro!

Daniela e Sónia

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Os Piratinhas vão crescer!!

Há muito que não escrevia no blogue.. Venho quase todos os dias a este espaço mas não tenho tido disponibilidade para escrever... para partilhar estratégias, dicas ou momentos.

A verdade é que os "Piratinhas" estão a crescer e isso ocupa muito tempo, mas é por uma boa razão... São as "minhas" crianças do dia-a-dia a quem tanto me dedico que têm crescido, mas é este projecto que tem preenchido o meu tempo livre. Muito em breve o blogue irá assumir outra dimensão, uma nova imagem e novos objectivos..

Os Piratinhas vão saltar do espaço online para a vida de muitas outras crianças... O projecto não é só meu... Foi pensado, construído e será concretizado com a minha colega de profissão e grande amiga Sónia Silva Ribeiro, também ela terapeuta da fala.

Ainda não posso partilhar convosco de que se trata, mas posso dizer que estamos a trabalhar nisto com o coração e vontade de ir mais além! Com a motivação que sempre tivemos ao longo dos anos de investir na prevenção... de promover o sucesso escolar... de mostrar que a terapia da fala pode e deve ser mais do que a população em geral conhece. Posso partilhar que terá uma vertente prática, dinâmica e com serviços interessantes :)

Fiquem a aguardar porque muito em breve haverá boas novidades! Conto com as pessoas que seguem o blogue e que ajudaram a chegar às 8788 visualizações que registo hoje para nos a ajudar a divulgar e a crescer!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Música para escutar com o bebé...

Ainda sobre o tema da música que já tinha abordado no post anterior...


A música influencia positivamente as relações de confiança que os adultos constroem com a criança, além de que a aprendizagem tem muito a ver com a capacidade de se interagir com os outros. O lado lúdico da música poderá entrar na rotina dos pais e da criança, antes de dormir, durante o banho, na hora das refeições. Cada família viverá à sua maneira!

Numa fase inicial da aprendizagem é importante que a criança oiça também música sem texto, de forma a que possa concentrar a sua atenção nas características musicais intrínsecas da canção. Aproximadamente entre os 18 e os 24 meses as próprias crianças reclamam a presença de texto, "o contar da história" da canção. 

Ficam algumas sugestões para escutar música com o bebé...

Podem ver aqui.

Andakibebé
Livro + CD + Guia para Pais e Educadores
Edição/reimpressão: 2003
Páginas: 32
Editor: Campo das Letras
ISBN: 9789726106265
Coleção: Palmo e Meio




Podem ver aqui.
Sementes de Música
Para bebés e crianças
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 72
Editor: Editorial Caminho
ISBN: 9789722119832

"Os autores querem proporcionar o contacto com rimas infantis que integram diferentes elementos musicais, com canções que embalam ou que contam uma história, com jogos de ritmo e de interacção. O CD que acompanha o livro contém música gravada para escutar, dançar ou imaginar, com sons de instrumentos, com ambientes de ontem, de hoje e de sempre. Inclui-se propostas de actividades para a 1.ª infância."


Podem ver aqui.

O Canto dos Bichos

Cantado pelo Bando dos Gambozinos
de Luísa Ducla Soares; ilustração de Maria João Lopes
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 32
Editor: Livraria Civilização Editora
ISBN: 9789722626835

"O canto da vaca. do cavalo e da galinha é a quinta do Tio Zé. O canto da lagartixa é uma pedra quente ao sol. o canto da Joaninha é a rosa onde se acolhe. O canto do caracol é a casca dura que leva sempre com ele. Mas qual é o canto das gaivotas do Porto? E qual é o canto que faz o pombinho correio? E o hamster? E que canto canta a cobra?

Para saberes só tens de abrir o livro. Ler os poemas da Luísa Ducla Soares e ouvir as músicas do Bando dos Gambozinos."

E vocês, o que ouvem com as vossas crianças? Recomendem... 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A Música e a Aquisição da Linguagem


Muito se tem falado do efeito que a música tem na aprendizagem e no desenvolvimento infantil. No dia-a-dia a música vai fazendo parte das nossas vidas e percebemos que as crianças adoram o ritmo, as melodias e, em muitos casos, a música parece ser de facto ser uma das poucas coisas que as cativa e as mantém em interacção. Devo dizer que nos primeiros tempos como terapeuta da fala usei muitas vezes nas minhas sessões a música no trabalho com crianças com autismo, sem formação na área e sem ter ouvido falar em musico terapia da forma que hoje se aborda. Contudo, os ganhos na interacção eram fabulosos...

Hoje trago um excerto de um texto que encontrei sobre a música e a aquisição da linguagem, que defende que estimular a música na primeira infância tem efeitos a longo prazo na nossa vida e que os pais que usam a música com o seu bebé estimulam as suas capacidades, mas também fortalecem os laços de amor. 

«Pediatras, neurologistas, psicólogos e investigadores diversos defendem que a música contribui muito para o desenvolvimento da criança a diferentes níveis. É no ventre materno que o bebé começa a assimilar as vozes e as conversas do exterior; nos primeiros tempos de vida já retém e imita sons, aprendendo a coordenar os movimentos com a respiração. São aliás vários os estudos a apontar que a música estabelece ganhos de competências sensoriais e de processamento de informação, a partir das quais a criança estabelece a sua interacção e a comunicação com o mundo. 

[...] Com a música, as crianças são estimuladas a escutar e a vocalizar sons, mas também se desenvolvem em termos motores, ganham uma melhor consciência corporal e rítmica. Independentemente da sua etapa de crescimento, há diferentes formas de integrar os bebés nas actividades relacionadas com a música. 
Nos primeiros tempos de vida começam a vocalizar sons no colo dos pais. Dos nove aos 12 meses, o corpo já se movimenta e dança, reagindo à voz cantada e aos instrumentos. 

Entre os dois e os três anos, despoleta a espontaneidade e a capacidade de a criança reproduzir tudo o que ouve - como pequenas esponjas. 

A música é a base de todo o funcionamento cognitivo e social, dependendo muito da forma como o bebé vai ser estimulado pelos pais e outros cuidadores. Os bebés compensam a sua incapacidade de cantar e de falar, escutando a música e a fala dos outros. Daí que seja muito enriquecedor que sejam expostos a estímulos muito diferentes, também do ponto de vista sonoro. 

As crianças devem ouvir música, cantar e expressar-se corporalmente na fase em que ainda não aprenderam a falar. Quando se estimula o ritmo e o movimento corporal, aumenta-se a capacidade de falar com uma boa articulação. O contacto precoce com a música contribui para a aquisição das primeiras palavras. A música expõe o bebé a um conjunto de elementos sonoros e expressivos que são comuns a outras formas de linguagem, nomeadamente a linguagem verbal. Quando estamos a estimular os sentidos, e em particular o sentido auditivo, estamos a diferenciar sons e a contribuir para a aquisição também da competência linguística.»     

Texto retirado da revista O Nosso bebé, nº3

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"O que posso fazer para que o meu filho comece a falar?"

Imagem retirada da net

E porque tantas vezes oiço a mesma pergunta, a mesma dúvida e, às vezes, a mesma angústia: "O que posso fazer para que o meu filho comece a falar?", "Porque é que o meu filho quase não fala e o primo já diz tantas palavras?", ... Já falei várias vezes aqui no blog sobre estratégias que promovem a aquisição da linguagem... Estratégias estas que não têm um objectivo de "tratar" ou remediar. Servem para facilitar, estimular o processo de comunicação de forma mais assertiva.

Os pais são pais e é isso mesmo que se pretende que sejam. Contudo, cada vez mais os pais têm necessidade de informação e se preocupam com o desenvolvimento dos seus filhos. Qualquer conselho que possa deixar aqui tem por base a máxima: Passe tempo com o seu filho! Ou seja, brinque no chão, brinque com tempo, dê importância às suas iniciativas, conheça as brincadeiras favoritas e divirta-se genuinamente a brincar! Não encare o brincar como mais uma tarefa nem esteja demasiado ansioso para que o seu filho fale. Há muitas formas de comunicar: valorize-as!

No post de hoje decidi resumir ou digamos juntar as Estratégias que promovem a Aquisição da Linguagem que já fui abordando em diferentes publicações do blog. Aqui ficam elas:

Minimize as questões directas. Colocar questões do tipo "O que é isto?" ou "O que queres?", numa fase inicial, tornam-se complexas para a criança. Assim, questões e ordens deverão ser evitadas até que exista maior domínio linguístico.

Comente. Siga a criança, observando o que ela faz e fazendo comentários, como se fosse um "diálogo interno". Use conceitos que a criança possa aprender! (ex.: "é a bola", "A Maria está a comer o pão") Os comentários sobre as acções que a criança faz facilitam o desenvolvimento da linguagem.

Espere a vez. Na interacção mostre com uma antecipação visual clara que espera a vez do seu filho participar na interacção. Sempre que a criança fizer um esforço para corresponder a essa expectativa deve ser recompensada. Essa expectativa pode ser promovida das seguintes formas:
- estabelecer contacto visual (se necessário tocando na cara da criança para a virar para si);
- virar a cabeça e o corpo na direcção da criança;
- colocar as sobrancelhas ligeiramente tensas.

Crie situações de comunicação. Encoraje a criança a comunicar espontaneamente criando situações que provoquem essa necessidade. Não antecipe tudo o que ela precisa: leve-a a sentir necessidade de pedir aquilo que quer (ex.: coloque alguns dos brinquedos que ela mais gosta em locais que ela os veja mas não consiga pegar neles sozinha; nem sempre "perceba" logo o que ela quer, finja que não entende e dê-lhe o que ela pediu se ela fizer um som semelhante à palavra).

Use e abuse de gestos e expressões faciais.  O gesto e o movimento são facilitadores ou encorajadores do discurso: capte a atenção da criança com os gestos que faz. Pense em gestos do dia a dia para associar às situações do dia-a-dia. Procure mimar as canções infantis.

Modele formas de comunicar, apresentando um modelo daquilo que a criança deverá dizer. Procure ser um modelo adequado de linguagem em vez de corrigir directamente os erros. Lembre-se que ser constantemente corrigido é frustrante para a criança. Enquanto damos o modelo demonstramos uma atitude afirmativa. Pelo contrário, a correcção mostra que apenas estamos focados nos erros comunicativos e não na sua intenção de comunicar. Procure repetir o que a criança disse de forma correcta e clara.

Reduza a extensão das afirmações: utilize frases curtas sempre que estiver a falar com a criança ou a comentar as suas actividades. Desta forma irá maximizar a compreensão bem como modelar algo que espera que a criança seja capaz de imitar no nível de desenvolvimento de linguagem em que se encontra. Por exemplo, se a criança ainda não é capaz de usar palavras, procure usar maioritariamente palavras ou frases muito curtas; se ela utiliza frases com duas palavras, tente que o seu discurso não tenha frases demasiado grandes. Tente aproximar-se do nível dela, mas uma escadinha acima!

Use um tom, ritmo e volume exagerado: ajuda a captar a atenção da criança. A entoação e volume exagerados facilitam o contacto. Utilize lengalengas, canções infantis, mas deixe espaço para que a criança participe com uma palavra (como na canção "atirei o pau ao gato", deixar que seja a criança a dizer "miau" no final; não se esqueça de criar expectativa neste momento).

Faça sons que acompanhem a actividade física ou as brincadeiras (exemplo: "pi pi" enquanto brinca com o carrinho, faça saltar uma bola enquanto diz "Pim, pim, pim", "Cu-cu", "Aaaaaaa", etc.).

Reforce o contacto visual: olhe para a criança, pois isso é crucial para facilitar a comunicação. Olhe para os olhos da criança e encoraje-a para que faça o mesmo.

Reforce qualquer esforço: para promover e reforçar a comunicação espontânea, deve reforçar toda e qualquer tentativa ou esforço da criança. Não ignore as suas iniciativas comunicativas. Procure responder sempre de alguma forma, verbalmente ou não, mas valorize o esforço da criança para comunicar, mostrando-lhe que é importante para si que ela o faça.

Coloque questões que impliquem acções, tais como "Onde está o nariz da Maria?", acompanhe a resposta da criança com pequenas expressões: "Tá aqui!". Pode também esconder um objecto e dizer "Não há" com gesto em simultâneo. Quando o encontrarem pode aproveitar a atenção da criança para nomear o objecto (exemplo: "É o pato!").

Valorize qualquer som espontâneo que a criança faça: repita-o e brinque com esse som, exagerando-o, mimando-o ou entoando uma música.

Leve a criança a pedir "mais" (exemplo: colocar a criança nas pernas e brincar "ao cavalinho" nos joelhos, parar, dizer "mais" com entoação como se fosse uma pergunta, e esperar a resposta da criança para recomeçar. Faça o mesmo com outras brincadeiras. )  

Divirta-se: fale com a criança de uma forma calma, com um tom e um ritmo agradáveis. Sorria sempre que possível.  Ajude a criança a associar uma boa sensação à comunicação. Seja um pai tranquilo e imaginativo :)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Change your attitude!!

Imagem retirada da net

Hoje volto novamente às questões do desenvolvimento da linguagem e resumindo os Dois primeiros anos de vida:

1º ano: PRÉ-LINGUAGEM

Fase vocal (0-8/9 meses): nascimento da PROTOCONVERSAÇÃO
Fase Verbal (8/9 meses - 12 meses)

2º ano: FASE PRÉ-LINGUÍSTICA

12-18 meses:      holofrases e jargão predominam
19 meses:           explosão de vocabulário
18-20 meses                                            enunciados de duas a trêspalavras
20-22 meses                                            nascimento da sintaxe e  
22-24 meses                                            fase rápida de aquisição de fonemas


Sobre a estimulação do desenvolvimento pré-linguístico e da linguagem nestas etapas já fui falando bastante aqui, com o tema "Antes de falar já comunico". 

Resumindo e analisando como podemos mudar as nossas atitudes perante uma criança nesta fase de desenvolvimento deixo ficar alguns tópicos adaptados deste livro


Atitudes sem a "mudança de atitudes":
  • Falam com frases compridas e com débito acelerado.
  • Usam linguagem muito acima do nível de competência da Criança, dando mais importância à forma que ao conteúdo da mensagem.
  • Comunicam "retoricamente", com grande preocupação didática.
  • Não esperam e não provocam a resposta da criança. 
  • Acomodam-se à comunicação idiossincrática da criança e não provocam uma performance mais convencional.  
  • Têm expectativas demasiado baixas ou elevadas.
  • Mantêm curtos contactos com a criança sem promover alternância de turnos (dar a vez) verbais e não-verbais.
  • Falam sem, primeiro, obter a atenção da criança.

Atitudes que facilitam a aquisição da linguagem:
  • Melhor capacidade de observação.
  • Seguem a liderança e iniciativa da criança.
  • Respondem aos comportamentos das crianças em vez de serem demasiado "dirigistas".
  • Valorizam pequenos pormenores da comunicação.
  • Facilitam a capacidade de iniciativa da criança.
  • Respeitam o turno de conversa da criança e incentivam-na a tomar a sua vez.
  • Nomeiam acções, objectos, sentimentos, ...
  • Respeitam as expectativas reais.
  • Passam do discurso "ainda não faz..." para o "já...".
  • Estimulam sem bombardear.  

Imagem retirada da net



Lembre-se que a linguagem é um conceito quase que se pode dizer omnipresente, ou seja, praticamente todas as actividades envolvem linguagem de uma forma ou de outra, pelo que procure ser assertivo nas trocas comunicativas, especialmente com crianças. 






Fonte: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora.

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