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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"O que posso fazer para que o meu filho comece a falar?"

Imagem retirada da net

E porque tantas vezes oiço a mesma pergunta, a mesma dúvida e, às vezes, a mesma angústia: "O que posso fazer para que o meu filho comece a falar?", "Porque é que o meu filho quase não fala e o primo já diz tantas palavras?", ... Já falei várias vezes aqui no blog sobre estratégias que promovem a aquisição da linguagem... Estratégias estas que não têm um objectivo de "tratar" ou remediar. Servem para facilitar, estimular o processo de comunicação de forma mais assertiva.

Os pais são pais e é isso mesmo que se pretende que sejam. Contudo, cada vez mais os pais têm necessidade de informação e se preocupam com o desenvolvimento dos seus filhos. Qualquer conselho que possa deixar aqui tem por base a máxima: Passe tempo com o seu filho! Ou seja, brinque no chão, brinque com tempo, dê importância às suas iniciativas, conheça as brincadeiras favoritas e divirta-se genuinamente a brincar! Não encare o brincar como mais uma tarefa nem esteja demasiado ansioso para que o seu filho fale. Há muitas formas de comunicar: valorize-as!

No post de hoje decidi resumir ou digamos juntar as Estratégias que promovem a Aquisição da Linguagem que já fui abordando em diferentes publicações do blog. Aqui ficam elas:

Minimize as questões directas. Colocar questões do tipo "O que é isto?" ou "O que queres?", numa fase inicial, tornam-se complexas para a criança. Assim, questões e ordens deverão ser evitadas até que exista maior domínio linguístico.

Comente. Siga a criança, observando o que ela faz e fazendo comentários, como se fosse um "diálogo interno". Use conceitos que a criança possa aprender! (ex.: "é a bola", "A Maria está a comer o pão") Os comentários sobre as acções que a criança faz facilitam o desenvolvimento da linguagem.

Espere a vez. Na interacção mostre com uma antecipação visual clara que espera a vez do seu filho participar na interacção. Sempre que a criança fizer um esforço para corresponder a essa expectativa deve ser recompensada. Essa expectativa pode ser promovida das seguintes formas:
- estabelecer contacto visual (se necessário tocando na cara da criança para a virar para si);
- virar a cabeça e o corpo na direcção da criança;
- colocar as sobrancelhas ligeiramente tensas.

Crie situações de comunicação. Encoraje a criança a comunicar espontaneamente criando situações que provoquem essa necessidade. Não antecipe tudo o que ela precisa: leve-a a sentir necessidade de pedir aquilo que quer (ex.: coloque alguns dos brinquedos que ela mais gosta em locais que ela os veja mas não consiga pegar neles sozinha; nem sempre "perceba" logo o que ela quer, finja que não entende e dê-lhe o que ela pediu se ela fizer um som semelhante à palavra).

Use e abuse de gestos e expressões faciais.  O gesto e o movimento são facilitadores ou encorajadores do discurso: capte a atenção da criança com os gestos que faz. Pense em gestos do dia a dia para associar às situações do dia-a-dia. Procure mimar as canções infantis.

Modele formas de comunicar, apresentando um modelo daquilo que a criança deverá dizer. Procure ser um modelo adequado de linguagem em vez de corrigir directamente os erros. Lembre-se que ser constantemente corrigido é frustrante para a criança. Enquanto damos o modelo demonstramos uma atitude afirmativa. Pelo contrário, a correcção mostra que apenas estamos focados nos erros comunicativos e não na sua intenção de comunicar. Procure repetir o que a criança disse de forma correcta e clara.

Reduza a extensão das afirmações: utilize frases curtas sempre que estiver a falar com a criança ou a comentar as suas actividades. Desta forma irá maximizar a compreensão bem como modelar algo que espera que a criança seja capaz de imitar no nível de desenvolvimento de linguagem em que se encontra. Por exemplo, se a criança ainda não é capaz de usar palavras, procure usar maioritariamente palavras ou frases muito curtas; se ela utiliza frases com duas palavras, tente que o seu discurso não tenha frases demasiado grandes. Tente aproximar-se do nível dela, mas uma escadinha acima!

Use um tom, ritmo e volume exagerado: ajuda a captar a atenção da criança. A entoação e volume exagerados facilitam o contacto. Utilize lengalengas, canções infantis, mas deixe espaço para que a criança participe com uma palavra (como na canção "atirei o pau ao gato", deixar que seja a criança a dizer "miau" no final; não se esqueça de criar expectativa neste momento).

Faça sons que acompanhem a actividade física ou as brincadeiras (exemplo: "pi pi" enquanto brinca com o carrinho, faça saltar uma bola enquanto diz "Pim, pim, pim", "Cu-cu", "Aaaaaaa", etc.).

Reforce o contacto visual: olhe para a criança, pois isso é crucial para facilitar a comunicação. Olhe para os olhos da criança e encoraje-a para que faça o mesmo.

Reforce qualquer esforço: para promover e reforçar a comunicação espontânea, deve reforçar toda e qualquer tentativa ou esforço da criança. Não ignore as suas iniciativas comunicativas. Procure responder sempre de alguma forma, verbalmente ou não, mas valorize o esforço da criança para comunicar, mostrando-lhe que é importante para si que ela o faça.

Coloque questões que impliquem acções, tais como "Onde está o nariz da Maria?", acompanhe a resposta da criança com pequenas expressões: "Tá aqui!". Pode também esconder um objecto e dizer "Não há" com gesto em simultâneo. Quando o encontrarem pode aproveitar a atenção da criança para nomear o objecto (exemplo: "É o pato!").

Valorize qualquer som espontâneo que a criança faça: repita-o e brinque com esse som, exagerando-o, mimando-o ou entoando uma música.

Leve a criança a pedir "mais" (exemplo: colocar a criança nas pernas e brincar "ao cavalinho" nos joelhos, parar, dizer "mais" com entoação como se fosse uma pergunta, e esperar a resposta da criança para recomeçar. Faça o mesmo com outras brincadeiras. )  

Divirta-se: fale com a criança de uma forma calma, com um tom e um ritmo agradáveis. Sorria sempre que possível.  Ajude a criança a associar uma boa sensação à comunicação. Seja um pai tranquilo e imaginativo :)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Change your attitude!!

Imagem retirada da net

Hoje volto novamente às questões do desenvolvimento da linguagem e resumindo os Dois primeiros anos de vida:

1º ano: PRÉ-LINGUAGEM

Fase vocal (0-8/9 meses): nascimento da PROTOCONVERSAÇÃO
Fase Verbal (8/9 meses - 12 meses)

2º ano: FASE PRÉ-LINGUÍSTICA

12-18 meses:      holofrases e jargão predominam
19 meses:           explosão de vocabulário
18-20 meses                                            enunciados de duas a trêspalavras
20-22 meses                                            nascimento da sintaxe e  
22-24 meses                                            fase rápida de aquisição de fonemas


Sobre a estimulação do desenvolvimento pré-linguístico e da linguagem nestas etapas já fui falando bastante aqui, com o tema "Antes de falar já comunico". 

Resumindo e analisando como podemos mudar as nossas atitudes perante uma criança nesta fase de desenvolvimento deixo ficar alguns tópicos adaptados deste livro


Atitudes sem a "mudança de atitudes":
  • Falam com frases compridas e com débito acelerado.
  • Usam linguagem muito acima do nível de competência da Criança, dando mais importância à forma que ao conteúdo da mensagem.
  • Comunicam "retoricamente", com grande preocupação didática.
  • Não esperam e não provocam a resposta da criança. 
  • Acomodam-se à comunicação idiossincrática da criança e não provocam uma performance mais convencional.  
  • Têm expectativas demasiado baixas ou elevadas.
  • Mantêm curtos contactos com a criança sem promover alternância de turnos (dar a vez) verbais e não-verbais.
  • Falam sem, primeiro, obter a atenção da criança.

Atitudes que facilitam a aquisição da linguagem:
  • Melhor capacidade de observação.
  • Seguem a liderança e iniciativa da criança.
  • Respondem aos comportamentos das crianças em vez de serem demasiado "dirigistas".
  • Valorizam pequenos pormenores da comunicação.
  • Facilitam a capacidade de iniciativa da criança.
  • Respeitam o turno de conversa da criança e incentivam-na a tomar a sua vez.
  • Nomeiam acções, objectos, sentimentos, ...
  • Respeitam as expectativas reais.
  • Passam do discurso "ainda não faz..." para o "já...".
  • Estimulam sem bombardear.  

Imagem retirada da net



Lembre-se que a linguagem é um conceito quase que se pode dizer omnipresente, ou seja, praticamente todas as actividades envolvem linguagem de uma forma ou de outra, pelo que procure ser assertivo nas trocas comunicativas, especialmente com crianças. 






Fonte: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora.

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terça-feira, 20 de março de 2012

A importância dos pais

Tendo sido ontem o dia do pai e, apesar de achar que o dia do pai, o dia dos pais (!), é todos os dias ou a família não estivesse presente todos os dias, decidi falar um bocadinho sobre a importância da interacção entre os pais e as suas crianças ao longo do desenvolvimento.

Muitos estudos têm demonstrado que a interacção parental influência o desenvolvimento de competências intelectuais e sociais da criança. É através da interacção com o outro que se aprende a lidar com as regras sociais e comunicativas e, neste processo, os pais são promotores de aprendizagem.

De uma forma geral, a investigação tem mostrado que pais assertivos e responsivos dão maiores oportunidades para um desenvolvimento positivo em crianças que possam estar em risco (mesmo quando comparadas com outras crianças que vivem em condições mais favoráveis e com estatuto sócio-económico mais elevado, mas com práticas parentais negativas).


A qualidade das interacções parentais é fundamental no desenvolvimento comunicativo da criança, pois é através das trocas diárias que pais e filhos interagem e se influenciam mutuamente. Assim, pais que respondem e interpretam as iniciativas da criança, seguindo o seu foco de atenção, interesses e motivações contribuem de forma positiva para o desenvolvimento da linguagem, comparativamente com pais que ignoram as iniciativas da criança ou dirigem a sua atenção para outros referentes que não o seu foco de atenção.

Em caso de existir risco para o desenvolvimento da linguagem é aconselhável procurar ajuda. Os pais terão que ser instruídos para se adapatarem às competências actuais dos seus filhos e para interpretarem de forma clara e evidente as intenções comunicativas não-verbais  das crianças.

O papel dos pais é educar e amar, mas em certas circunstâncias também precisam de ser "educados"!


Quando comecei a trabalhar era raro aparecerem na consulta ambos os pais, era como se a terapia da fala fosse "coisa de mães". Actualmente, sinto que os pais-homens são mais participativos no dia-a-dia dos filhos e é frequente na primeira consulta ter o pai e a mãe, ambos a demonstrar interesse, a fazer perguntas e a tentar ajustar-se. Por vezes, vem primeiro a mãe e seguir já traz o pai também. Sinto que os pais-homens vêm sempre um pouco mais envergonhados no início mas acabam por se revelarem boas surpresas: conhecem bem as rotinas, os gostos, as competências e as dificuldades dos filhos. 

Devo dizer que em matéria de brincadeira o meu pai sempre foi muito disponível e próximo. Que a intimidade e a confiança também se desenvolve a brincar e que aprendi muito com o meu pai! Não consigo deixar de dizer que fui e sou uma sortuda :)
   
Imagens retiradas da Internet

quinta-feira, 8 de março de 2012

Uma escadinha acima...


De uma forma geral os pais conseguem fazer um desnível em relação às competências evidenciadas pelos seus filhos e o modelo que lhe vão dando. Contudo, nem sempre o desenvolvimento da linguagem surge nas fases esperadas e, algures neste percurso, vai-se perdendo esta naturalidade. 

Tinha falado aqui no conceito de "expansão semântica" e pareceu-me que não ficou muito claro, por isso decidi dar um exemplo:
  
A criança olha para o carro do pai e diz: "Popó!". Neste caso a mãe pode acrescentar: 
    
"O popó do papá!" ou "O popó é grande".

O adulto não deverá ultrapassar 3 a 4 palavras acima do enunciado produzido pela criança, para ser entendido  e servir de modelo optimal. Quantas vezes não acontece de falarmos tanto que a meio as crianças já nem estão a prestar atenção? "Falar muito" com a criança em determinadas fases deve ser doseado e deve existir tempo para que ela também possa responder.

Esta extensão pode ocorrer a nível gramatical, através do uso de palavras funcionais, tendo presente a noção de que estas custam mais a ser assimiladas. Exemplo: se a criança usa a palavra "bola", o cuidador poderá usar:
 "a tua bola", 
"a bola no cesto", 
"bola fora do campo", ... 


Outra questão que me fazem com frequência é se se deve usar ou não infantilismos, como "papa", "popó" ou outros. Numa primeira fase, tanto o cuidador como o bebé dirão "popó" e deve encorajar este tipo de infantilismos. Ao fim de algum tempo, verá que a criança já usará com um certo à-vontade esta palavra, por isso deverá propor uso do modelo adulto. Assim, quando o seu filho diz "popó" repita "popó" para reforçar e em seguida acrescente "o carro", juntando-lhe o modelo adulto do mesmo conceito. 
Só após este fase é que se permita a usar sempre a palavra adulta, pois agora ele saberá que têm o mesmo significado. 



Imagens retiradas da Internet. 
Fonte: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Siga a iniciativa do seu filho...

Continuando o tema "Antes de Falar já Comunico", proponho mais uma orientação que traz bons resultados: seguir a iniciativa da criança. Isto significa responder com interesse ao que o seu filho está a comunicar, mostrando-lhe que o que faz ou diz é interessante e importante para si.


Há várias formas de seguir a iniciativa da criança:
- responder imediatamente e com interesse
- juntar-se ao jogo e jogar
- seguir a iniciativa do seu filho com acções e palavras, através da imitação, interpretação e fazendo comentários. (este tópico será abordado na próxima publicação)

Quando a criança  inicia uma interacção, procure responder-lhe de imediato, independentemente da forma como a mensagem é transmitida: um olhar um som, um sorriso, um movimento do corpo, um gesto ou palavra. Diga algo em seguida para que ele saiba que recebeu a sua mensagem. Demonstre um tom de voz entusiasmado e sorria.


As vantagens de compartilhar os interesses do seu filho são simples:
- ele é mais propenso a comunicar sobre aquilo que lhe interessa
- aprende mais quando a sua resposta se relaciona com a mensagem
- ele mantém mais facilmente a atenção em actividades que lhe interessam.


Participe no jogo: jogar com o seu filho é uma das formas mais divertidas de seguir a sua iniciativa e comunicar.

Quando a criança ainda é pequenina, use palavras e sons que possa associar às actividades que estão a acontecer, como "Ohh-ohh" ou "Ups" quando caí algo ao chão; "vrrrrrrr" associado ao som do carro em movimento; "muuuummm" com gesto associado na barriga que mostra que a comida era boa; "Puuumm", para associar a barulhos fortes ou quedas; brinque aos sons dos animais, ... Faça-o de forma divertida.

Com crianças mais crescidas procure encontrar os seus próprios jogos.



É difícil brincar com a criança quando apenas ela tem o objecto. Neste caso é importante evitar ser apenas um espectador.  Por exemplo, se o seu filho está a fazer deslizar um camião ou a construir algo com legos, procure encontrar algo semelhante para poder brincar com ele e participar.

Quando as crianças chegam aquela fase em que já dizem as primeiras palavras, brinque "às casinhas": finjam situações do dia, como dar "comida" um ao outro, "brincar aos médicos", ... Escolha um papel e aja como tal.

Divirta-se a Brincar :)

Imagens retiradas da internet

Fonte: 
Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

"Quito, quito, quito, ..."


Aqui há uns anos trabalhava num gabinete em que uma das funções que tinha era fazer rastreios em escolas e infantários que solicitassem a nossa deslocação. Numa dessas vezes conheci um pequenino de 3 anos que a educadora descreveu como sendo "o mais atrasado na fala". Como habitual, nestas situações nunca levo nada muito dirigido, por vezes até escolho algumas brinquedos ou livros das salas para os deixar menos inibidos e sigo um bocadinho a iniciativa deles. Neste caso acabou por ser um livro bem colorido e com várias imagens fotográficas. Abrimos o livro, ainda sem que o menino tivesse estabelecido contacto ocular comigo, me tivesse dito o nome ou qualquer outra coisa, e ele começou a explorar: apontava rapidamente várias imagens e nomeava todas com "quito". A minha inexperiência na altura não me permitiu ver logo do que se tratava. A educadora explicou-me que a mãe via diariamente antes de dormir livros com imagens na tentativa de lhe ensinar palavras, já que ele não falava ainda. Só aí se fez um click: "O que é isto? O que é isto?"




Escolhi este exemplo para relembrar como os modelos linguísticos nestas idades podem ser tão importantes. A fase do primeiro para o segundo ano caracteriza-se por imensas aquisições (e saliento que a compreensão da linguagem antecede sempre seis meses a sua produção), pelo que o adulto cuidador deve usar um modelo linguístico de fácil imitação. 

Neste sentido, é fundamental evitar o uso de diminutivos: ao dizer “casinha”, “florzinha” ou “gatinho” em vez das palavras correctas só estará a contribuir para atrasar a produção dessa mesma palavra. Usar diminutivos aumenta o número de sílabas, tornando-a mais complexa e, além disso, os sons /z/ e /nh/ são mais difíceis de articular, razão porque surgem mais tarde no desenvolvimento articulatório da criança.

No dia-a-dia procure antecipar verbalmente as situações que vão acontecendo e nomeie as diferentes fases. Esta atitude irá permitir que o seu filho ganhe confiança perante as situações novas, contribuindo para a sua participação. Nestes momentos use vocabulário adequado ao contexto, que seja funcional. A título de exemplo, não importa que a criança saiba a palavra “leão” se as palavras “cão” ou “gato” ainda não são usadas e, principalmente, se fizerem parte do seu quotidiano.

Neste processo, o cuidador deve dar a hipótese de a criança aumentar a qualidade e a quantidade do seu vocabulário, usando “expansões semânticas” , ou seja usar mais palavras para descrever um conceito que a criança já conhece. Por exemplo, para a palavra “bola” podemos usar diferentes adjectivos, tais como: “grande”, “azul”, “dura”, …

Hoje deixo uma sugestão aos pais: analisem os modelos linguísticos que propõem aos vossos filhos e procurem fazer um julgamento da assertividade com que o fazem.    



Imagem retirada da Internet. 
Fonte: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#7


Ajude o seu filho a fazer um comentário ou uma pergunta.

- Mude uma actividade familiar… e espere! Por vezes, em vez de interromper uma actividade já habitual (como sugeri no tópico anterior) poderá alterar a sequência com que a realiza ou fazer algo que eventualmente está fora do contexto. A surpresa cria a oportunidade para que o seu filho inicie uma interacção através de um comentário ou uma pergunta. Por exemplo, na actividade de vestir experimente colocar o sapato na mão. Não se esqueça que poderá expandir o comentário do seu filho ou dar significado a uma expressão interrogativa da parte dele.



- Esconda objectos em lugares inesperados e… espere! Deixe que o seu filho encontre e se surpreenda. Dê-lhe tempo para que ele comente.





- Quando as coisas correm mal…espere! Todos os dias vão surgindo pequenos problemas ao seu filho, tais como o jogo que caiu, os lápis que se partiram, um brinquedo que está longe, a bolacha que caiu ao chão, … Em vez de se prontificar a resolver estas situações rapidamente espere alguns segundos para ver o que diz o seu filho. Finja que não viu se necessário. Desta forma cria mais uma oportunidade para que o seu filho comente ou chame a sua atenção.  


Fonte: 
Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 

Imagens retiradas da mesma fonte.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#6


Crie oportunidades para que o seu filho tome a iniciativa.

Uma das coisas que mais oiço de pais que chegam ao meu consultório com filhos que ainda não falam ou “falam pouco” é que ele é preguiçoso, que entende mas que não se esforça para falar, que é algo passivo na interacção. Então, hoje decidi partilhar algumas sugestões que poderão ajudar a criar mais oportunidades para que a criança tome a iniciativa.
É bem possível que não veja o resultado destas ideias de imediato, este poderá ser um processo até algo frustrante para ambos. No entanto, não significa que não terá efeitos posteriores. Assim, se cria uma oportunidade e o seu filho não toma a inicativa, mostre-lhe o que ele poderia ter feito ou dito e continue a realizar a actividade. Ele verá o seu exemplo e é possível que da próxima vez inicie a interacção.

Ajude o seu filho a pedir! Em vez de se apressar a dar-lhe algo que sabe que ele quer procure criar uma situação em que ele tenha que pedir. Veja os exemplos:

- Coloque um dos seus objectos/brinquedos preferidos longe do seu alcance mas no seu campo de visão e espere! Espere que o peça e dê-lho assim que ele o fizer.  
              
  
- Ofereça um pouco e… espere! Em vez de lhe dar um bocado grande de algum alimento (maçã, pão, bolacha, sumo, …), dê-lhe apenas um pouco e espere que ele peça mais. Quando ele o fizer (adulto: “Sumo! Mais sumo!”) dê mais um pouco e espere novamente.



- Escolha uma actividade que o seu filho não possa realizar sem ajuda e… espere! Pegue em brinquedos de corda, com música ou que tenha algum dispositivo que ele não consiga accionar sem ajuda e inicie a interacção, mas sem a prolongar por muito tempo. Pare e espere, para criar oportunidade para que o seu filho peça ajuda. Quando ele o fizer repita a actividade mas dê “pouca corda” ao brinquedo para que se crie nova oportunidade.


- Dê-lhe opções de escolha e… espere! Pegue em dois brinquedos ou dois alimentos e deixe-o escolher, seja através do apontar, do olhar ou do nome. Dê-lhe tempo para fazer a sua escolha e valorize as suas iniciativas comunicativas.



- Realize por alguns momentos uma actividade já habitual e… espere! Realize actividades que já costuma fazer, tais como “cavalinho”, cócegas, canções, atirar o carrinho de um para o outro, atirar a bola, … e vá interrompendo a actividade, faça pequenos intervalos para que o seu filho possa pedir continuidade.



De uma forma geral, estas sugestões são usadas no dia-a-dia pelos pais. Na minha opinião, o mais difícil para as famílias com quem me fui cruzando é dar tempo, gerir as suas ansiedades e a pressão que fazem para que aconteça algo. Quando falo em dar tempo, não significa ficar à espera porque sim. Dar tempo deve surgir após iniciar uma cadeia de interacção e deve ter como propósito a iniciativa da criança. Não desista se ele não participa de imediato!

Na próxima publicação darei algumas sugestões para ajudar o seu filho a fazer um comentário ou uma pergunta. 


Fonte: 
Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 

Imagens retiradas da mesma fonte.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#5

NOMEAR

Significa dar nomes à realidade, explorando verbalmente o mundo.
Repare na actividade está a ser desenvolvida através do seguinte diálogo:

            
- Põe. Encaixa. Boa!
- Queres mais? Vá, isso. Assim, põe outra vez.
- Isso mesmo, boa!
- Outra? Pega.
- Isso!!



Repare como quando lemos esta amostra de discurso do adulto enquanto faz um jogo de encaixe se verifica pouco conteúdo, comparativamente com a amostra de discurso seguinte:
                - Tiraste a bola!...
                - Olha, é uma bola!
                - A bola é vermelha… e agora… vamos pôr a bola dentro da casa!
                - A bola está dentro da casa. Boa!

É importante evitar o uso de palavras vazias em detrimento de palavras preenchidas de significado.
Usar os nomes das coisas ajuda a “tirar o medo do desconhecido” ao longo do desenvolvimento expressivo.

Deixo uma sugestão para os pais: tentem observar-se um ao outro a brincar com o vosso filho ou filmem um momento de brincadeira e analisem o conteúdo do vosso discurso, imaginando se não conhecessem o contexto da brincadeira se conseguiam perceber a situação que está a acontecer. 


Imagem retirada da Internet
Fonte: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#4




Ollhos de Coruja, será?







Observar...
é bem mais do que apenas ficar passivamente a ver as coisas. Implica colocar os cinco sentidos a funcionar, captando todas as mensagens da criança, por mais pequenas que possam parecer, tais como gestos, sons, o choro, o olhar, as expressões faciais, … 


Dedique-se a observar a linguagem corporal do seu filho e a tentar decifrar as suas mensagens. Poderá aprender muito acerca do que lhe interessa... Compartilhe momentos com o seu filho! Nem sempre aquilo que nos parece mais óbvio é o que mais atrai a criança.  


Importa observar sem fazer juízos de valor, sem acrescentar adjectivos não produtivos e que não contribuam para a compreensão da situação observada. 

Imagens retiradas de: Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 
Fontes: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 
Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#3


Quando duas pessoas comunicam, seja com ou sem palavras, significa que ocorre interacção. Às vezes é necessário relembrar o básico, e que tantas vezes deixamos passar porque nos “distraímos” com um sem número de estímulos à nossa volta:

ESTABELECER CONTACTO OCULAR

Este é o requisito base para criar condições de diálogo (verbal e não-verbal) de uma verdadeira educação. Nenhuma troca comunicativa dever ser iniciada sem que exista contacto ocular que permita interpretar os sentimentos e as expressões do outro, imitá-lo, segui-lo. 


Estabelecer contacto ocular é importante para mostrar interesse na interacção, motivar para a brincadeira, manter a atenção da criança, expandir e, até mesmo, aprender. O que às vezes acontece é que nos esquecemos da nossa "altura" e esperamos que seja a criança a olhar para nós, quando é tão fácil sermos nós a ficar ao nível delas. 

Nas crianças sem problemas comunicativos, o estabelecimento do contacto ocular aparece de forma espontânea e natural. Contudo, quando a criança manifesta dificuldades de comunicação, trabalhar esta competência poderá constituir um objectivo de intervenção, uma vez que não existe como pré-requisito à comunicação.  


Aqui há uns tempos estava com a minha família em casa e quando me apercebo está o meu pai deitado no chão da garagem a brincar com a minha sobrinha de 3 anos. Primeira coisa que lhe digo: "Pai, então!". Resposta: "-Não percebes que as crianças adoram que brinquem ao nível deles, não estás a ver como ela acha esta brincadeira engraçada!". Confesso fiquei algo incomodada, afinal a terapeuta até sou eu! Mas depois fiquei a pensar se a terapeuta que sou também não foi muito construída pelo meu pai. Recordei-me que quando era pequena ele sempre se ajoelhava para falar ou brincar comigo, que quando eu tinha algo para lhe dizer mais importante ele pegava em mim ao colo e que, ainda hoje, todas as conversas que temos são acompanhadas de muita expressividade e, fiquei a pensar no quanto esta característica dele ainda é importante para mim.  

Imagens retiradas de: Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 

Fontes: 
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 
Wietzman, E.; Pepper, J. (2007) Hablando... Nos Entendemos los dos. The Hanen Program; Toronto. 

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#2




Costumo brincar com os pais das “minhas” crianças e dizer que eles trazem incorporado uma espécie de chip que faz com que eles se adaptem ao nível de desenvolvimento dos seus filhotes de uma forma automática e quase mágica, estando sempre uma escadinha acima daquilo que eles precisam. E é isto que faz com que a criança vá crescendo e se desenvolvendo de uma forma harmoniosa e saudável. As aquisições que ambos vão fazendo resultam do que cada um, pai e filho, dão ao outro, das plataformas comunicativas que ambos vão construindo.

Numa fase pré-verbal, ainda antes da fala desenvolvem-se competências essenciais que constituem autênticos pilares para o que virá a seguir.

          
Assim, ao longo do primeiro ano de vida é importante ter presente algumas orientações/estratégias que são promotoras do desenvolvimento da comunicação e da linguagem. O que me proponho a sugerir neste tema “Antes de falar já comunico” é válido para pais e/ou cuidadores de crianças desta faixa etária, bem como para pais de crianças com dificuldades nestas áreas do desenvolvimento.



Estas atitudes existem em cada um de nós! O que as torna tão significativas não é a sua descoberta mas consciência das consequências que elas poderão ter no desenvolvimento da criança.



Como são várias e quero comentar um pouco sobre cada uma das orientações sugeridas, vão dividi-las em mais do que uma publicação.

(Imagens retiradas da Internet)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ANTES DE FALAR JÁ COMUNICO#1


A presença de fala não é garantia que a comunicação ocorra, assim como, a ausência da mesma não implica necessariamente que não ocorra comunicação (Downing, 1999).

Qualquer aprendizagem é comunicação, pelo que é necessário saber seguir as iniciativas das crianças, saber esperar, dar-lhes tempo, observar e escutar.


 Hoje deixo um curto vídeo, que já tem circulado pela net e que é bem exemplificativo sobre as falhas de comunicação que podem existir quando o adulto (supostamente o interlocutor mais competente) falha na “leitura” dos comportamentos comunicativos da criança. E há dúvidas de que houve uma tentativa de comunicação? O que não ocorreu foi a troca de informação necessária ao processo comunicativo. Tudo isto para pensarmos como o papel do adulto cuidador é fundamental para que comunicação de facto ocorra, sem que para tal tenha que existir necessariamente fala.