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domingo, 19 de agosto de 2012

Sinais de alerta_Dificuldades de Aprendizagem

Imagem retirada da Net

Agosto... Para grande parte das famílias significa férias! Mas também tempo de preparar o regresso às aulas, de preparar o novo ano escolar..

Hoje sugiro que esteja atento a alguns sinais que o seu filho possa mostrar que poderão indicar Dificuldades de Aprendizagem:

Idade Pré-escolar: 

- Dificuldades de evocação semântica;
- Dificuldades de discriminação auditiva;
- Dificuldade em memorizar canções e lengalengas ou em fazer exercícios rítmicos;
- Dificuldade na aquisição de conceitos temporais e/ou espaciais;
- Dificuldade na escrita do nome;
- Dificuldade em identificar formas ou a figura-fundo;
- Lateralidade não definida;
- Dificuldade em identificar rimas ou fazer segmentação silábica.


Idade Escolar

- Dificuldade na interpretação de textos (leitura e cálculo);
- Confunde sinais aritméticos;
- Evita frequentemente actividades que impliquem leitura;
- Narrativa pobre e desestruturada no espaço e no tempo;
- Leitura hesitante, silabada e pouco fluente;
- Escrita com omissões, adições ou trocas de sílabas e/ou fonemas;
- Acentuação incorrecta de palavras longos ou pouco familiares;
- Substituição de grafemas com forma escrita semelhante;
- Dificuldade em distinguir letras maiúsculas de minúsculas;
- Dificuldade em memorizar recados ou outras informações.

Esteja atento e divirta-se nas férias!!!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O que esperar dos 3 aos 4 anos?

Falei aqui sobre o que esperar do desenvolvimento da linguagem entre os 2 e os 3 anos de idade, como forma de pais e educadores estarem alerta. Hoje deixo ficar os marcos de desenvolvimento esperados entre os 3 anos e os 4 anos, salvaguardando mais uma vez que existem diferenças individuais e que é necessário criar oportunidades para que o desenvolvimento ocorra.
Então,

dos 3 aos 4 anos

A criança:


• Produz frases simples com 4/5 palavras. Próximo dos 4 anos, já produz frases maiores, usando “e”, “mas”; 

• Inicia o uso de artigos indefinidos (um, uma , uns, umas), preposições (do, da, dos, das, ao, ...). Usa advérbios (bem, mal, ontem, primeiro, ...); 

• Compreende conceitos básicos de cor, forma, tamanho e localização

• Executa ordens com dois itens;

Responde a perguntas simples (quem? que faz? o quê? onde?); 

Relata factos ouvidos, acontecimentos que lhe foram contados, sem os ter vivenciado. 

• A nível pragmático: aprimoram e intensificam o uso das funções comunicativas. Na conversação: fazem perguntas sobre referentes ausentes; os turnos são inteligíveis e coerentes com o turno anterior.


Surgem indicadores de uma sensibilidade linguística (domínio implícito e inconsciente das regras linguísticas):

- fonológica : gosto por rimas. 

- morfo-sintáctica : identifica que algo “soa mal”, e pode começar a corrigir as suas produções e dos outros. (“eu fazi” __ “eu fiz” / “mais bom” __ “melhor”) 

- semântica: quando realiza pedidos de esclarecimento, sobre o significado de palavras quando as ouve pela primeira vez. (“O que é...?”)

Por volta dos 4 anos articulam correctamente a maior parte dos fonemas do português. Dos 3 para os 4 anos vão desaparecendo mais alguns processos fonológicos (trocas normais no desenvolvimento):

Sempre que tem dúvidas procure informar-se! 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Respiração Oral...Informe-se!


Nesta época do ano, por ser primavera, fala-se sempre mais de respiração oral, em parte porque os processos alérgicos se agravam.
Ser Respirador Oral , ou seja respirar pela boca, é uma adaptação patológica, muitas vezes inconsciente, que resulta da dificuldade em respirar pelo nariz. Por norma, é uma compensação!

A obstrução nasal e decorrente respiração oral pode ter várias causas, de entre as quais:
- hipertrofia das amígdalas ou das adenóides (quando são grandes deixam menos espaço para o ar passar e a criança respirar);
- rinites
- sinusites
- inflamações
- infecções respiratórias crónicas   
- malformações
- desvio de septo
- presença de corpos estranhos

Independentemente da causa, esteja atento a algumas características típicas e que poderá identificar facilmente como sintomas de Respiração oral, ainda que algumas delas poderão já ser tidas como consequências:

  • boca aberta durante o dia ou lábios entreabertos com a língua "no meio" dos dentes
  • ronco
  • sono agitado
  • dificuldade em respirar durante o sono
  • olheiras 
  • baba durante o sono
  • sonolência diurna, com agitação (por vezes agressividade) ou apatia
  • dificuldade em concentrar-se nas actividades
  • dor de cabeça de manhã
  • falta de apetite e de prazer em comer (muitas vezes preferência por alimentos líquidos e pastosos)
  • dificuldades em identificar odores
  • cansaço
  • infecções respiratórias frequentes.

Esteja atento e caso verifique alguns destes sintomas fale com o seu médico de família ou, se tiver oportunidade, procure um otorrinolaringologista para uma avaliação mais específica. 

Tenha presente que as infecções frequentes nas vias respiratórias superiores podem levar à ocorrência de otites repetitivas, podendo diminuir a capacidade auditiva durante alguns períodos de tempo. Esta diminuição da capacidade auditiva poderá ter repercussões significativas no desenvolvimento da linguagem. no comportamento, na capacidade de atenção e aprendizagem, com prejuízo a nível escolar.      


Tratar a respiração oral deve ser uma preocupação desde cedo, de modo a evitar ainda comprometimentos a nível do crescimento da face e alterações dentárias. Desde que tratada precocemente é possível evitar danos de natureza permanente e proporcionar à criança uma melhor qualidade de vida (e à família também, porque noites mal dormidas e dias agitados são difíceis para todos!). 
  
Após a avaliação do médico há a necessidade de reequilibrar o tónus e a postura dos orgãos fonoarticulatórios, realizando exercícios específicos para tal, bem como adequar as funções que possam estar alteradas, ou seja, além da fala, a mastigação ou a deglutição. Nesta fase, procure um Terapeuta da Fala

Se tem dúvidas... Informe-se! Não espere...


Imagens retiradas da internet
Fonte:
Aulas de "Respiração oral", leccionadas pelo Terapeuta Ricardo Santos, na Pós-Graduação de Motricidade Orofacial, Isave, 2009-2010. 

domingo, 11 de março de 2012

O que devo esperar aos 2 anos? E aos 3 anos?

Hoje resolvi falar um bocadinho de desenvolvimento da linguagem, de uma forma não exaustiva e que seja facilmente entendida por todos. A nível da linguagem podemos falar de competências de compreensão e de expressão, que envolvam as dimensões do vocabulário (semântica), da organização das palavras nas frases (sintaxe), da formação de palavras (adjectivos, plurais, concordâncias, ... - morfologia), percepção e produção de sons para formar palavras (fonologia) e uso de todas estas competências num contexto social (pragmática). 


Como pai/educador como posso saber o que esperar em cada idade?
A resposta a esta questão implica saber alguma informação e capacidade de observação para tentar verificar as competências que menciono hoje. Esteja atento durante as brincadeiras que faz com a criança, na sua interacção com outras crianças e não se cinja a acontecimentos isolados. 

Importa ter presente que os marcos de desenvolvimento da linguagem são atingidos mais ou menos na mesma idade por todas as crianças e que é necessário que haja oportunidade para que esse desenvolvimento ocorra. Contudo, existem diferenças individuais (herança genética, nutrição, influências culturais, ...) que devem consideradas e que interferem com o ritmo de aquisição.

De uma forma geral, as pessoas sabem que por volta dos 12 meses surgem as primeiras palavras, por norma pouco depois de a criança começar a dar os primeiros passos. São palavras simples e que tem um significado representativo de uma frase. Durante o segundo ano de vida, a criança aponta animais, roupas ou brinquedos quando o adulto diz o nome. Usam palavras e também sons que não são palavras mas que parecem uma "conversa". Por volta dos 18 meses começam a combinar 2 palavras (ex.: "papa bebé" ou "popó pai"). Ao longo desta fase a criança começa a entender que determinado objecto serve uma função (a escova é para pentear, o copo para beber, ...).

Dos 2 aos 3 anos
A criança:

- Produz cerca de 200 a 300 palavras.

- Usa frases curtas com 3/4 palavras, maioritariamente com nomes e verbos, do tipo afirmativo ou na negativa. (As perguntas ainda não surgiram, contudo com a entoação parece que o está a fazer.)

- Por volta dos 34 meses usa o "eu".

- Usa verbos regulares no passado e no presente. 


- Realiza generalizações abusivas. Ex: “Eu fazi”, “eu ouvo” e surge o plural;

- Descobre a causalidade (causa-efeito; “porquê?”). O uso do "porque" surge mais tarde (+ou- aos 3 anos e meio). 

- Tem dificuldades em recontar uma história (com suporte visual, consegue expressar algumas ideias ou nomear alguns tópicos). 

- Memoriza a letra de pequenas canções; 

- Produz palavras de carácter social: “obrigado”, “ por favor”; 

- Passa por um curto período de Gaguez pontual e passageira _ gaguez fisiológica (30-36meses), que resulta muito do facto de a criança compreender muito mais do que as suas competências lhe permitem expressar.

- É entendida pelos familiares, na maior parte das vezes (dificuldades em alguns sons e em palavras mais compridas, como “televisão”). 

- Até aos 3 anos diz palavras com os sons:
p, b, m, t, d, n, nh, k, g 

- Até aos 3 anos troca o som /k/ com /g/ (ex..comida-gomida) e pode trocar os sons /f, s/ por /p/ ou /t/ (ex.: faca-paca ou sopa-topa). 


Use o conhecimento destes marcos para estar mais atento e identificar precocemente dificuldades de linguagem  que necessitem de avaliação de um terapeuta da fala. Tem dúvidas? Pergunte... 



Imagens retiradas da Internet




Fontes:
Rigolet, S. (2002). Os três P: Precoce, Progressivo, Positivo – Comunicação e Linguagem para uma plena expressão. Colecção Educação Especial. Porto: Porto Editora.
Rigolet, S. (2006) Para Uma Aquisição Precoce e Optimizada da Linguagem. Porto Editora. 

sábado, 10 de março de 2012

Será que o meu filho não ouve bem?

Os primeiros anos de vida são repletos de aprendizagens e cada dia traz novas surpresas para a criança e para a sua família. Os pais devem procurar estar atentos ao desenvolvimento da linguagem e identificar se, em algum momento, existe necessidade de realizar uma avaliação/despiste. De entre as várias causas de um Atraso no Desenvolvimento da Linguagem está a perda auditiva que, ainda que ligeira poderá reflectir-se de forma significativa nas competências comunicativas da criança.



Sugiro que responda às questões, de acordo com as idades como referência:    

- 3 meses: O seu filho assusta-se e começa a chorar com sons elevados? O seu filho reage a sons como a sua voz?
- 6 meses: O seu filho volta a cabeça e olha para o local de onde vem o som?
- 9 meses: O seu filho reage ao seu próprio nome, olhando ou voltando-se na direção de quem o chamou?
-12 meses: O seu filho produz sons e compreende nomes simples como “popó” e “papa”?
-15 meses: O seu filho responde a ordens simples ("Dá o pão" ou "Mostra o pé") e diz algumas palavras? 
Independentemente da idade esteja atento a alguns sinais de alerta, tais como:

- Não reage quando ouve sons suaves, mesmo que não exista barulho de fundo.
       
- Parece sempre distraído e usa com frequência as expressões “o quê?” “ãh?”.


- Fica muito atento ao rosto e às expressões faciais das pessoas com quem está a falar, como se procurasse "ler" a fala do outro.


- Fica mais confuso quando existe ruído de fundo e parece não compreender o que lhe dizem.


- Gosta de colocar o volume da televisão alto e quando os adultos não deixam procura um lugar mais perto da TV.


- Não gosta de falar ao telefone e não entende o que lhe dizem. Pode acontecer também reparar que o seu filho troca o telefone de ouvido na tentativa de compreender.  


- Não reage a sons bruscos, mesmo aqueles que normalmente até os adultos se assustam.

- Tem dificuldades em falar e em corrigir-se quando os adultos lhe dão o modelo, tendo dificuldade e manter a atenção.

Importa referir que, caso exista uma perda auditiva as aprendizagens escolares estarão comprometidas e a frustração da criança e da família vai aumentando. Os sinais de alerta que referi não devem ser considerados isoladamente, tente estar atento a diferentes comportamentos. Se tem dúvidas e pensa que esta poderá ser a causa das dificuldades do seu filho faça os testes auditivos. 

Não adie um diagnóstico por medo! 



Fonte:

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quando devo levar o meu filho ao terapeuta da fala?


Esta é uma das questões colocadas por muitos pais a si próprios, aos educadores, médicos de família, enfim… Muitas vezes chegam à primeira consulta ou ao rastreio e referem que o instinto lhes dizia que já deviam ter vindo, mas será que não era precipitado?! Este processo é muitas vezes facilitado por familiares próximos e/ou vizinhos que têm ou tiveram contacto com o mundo da terapia da fala. Também acontece o inverso, em que a mesma rede desconhece o trabalho e a importância e, portanto, desincentiva a procura de um terapeuta.

Com este post, pretendo deixar linhas gerais de orientação para a identificação de sinais que ajudem os pais na decisão de procurar um terapeuta da fala ou não.

Sinais de Alerta:
                - aos 12 meses não reage ao seu nome nem a sons familiares; interage pouco com os outros.
- aos 18-24 meses não cumpre instruções simples, ainda não fala ou usa apenas palavras isoladas.
- aos 3 anos não constrói pequenas frases e os pais e familiares não compreendem o que diz; conhece e diz poucas palavras.
- aos 4 anos não conta acontecimentos do dia ou que aconteceram recentemente; a fala ainda não é percebida por todos. Tem dificuldade em iniciar uma frase/repete sílabas (gaguez).
                - aos 5 anos não diz ou troca sons, constrói frases muito simples e/ou desorganizadas e é pouco coerente a contar uma história ou um acontecimento.
                - em idade escolar  tem dificuldades de leitura e escrita; (estas dificuldades serão tema para um post posterior).
(Fonte: Rebelo, A; Vital, A (2006) “Desenvolvimento da Linguagem e Sinais de Alerta: Construção e Validação de um Folheto Informativo”, Re (habiitar) – Revista da Essa, nº2, Edições Colibri, pág. 69-98.)



Sempre que tiver dúvidas não hesite em procurar um terapeuta para uma consulta de avaliação. Em diversos gabinetes/clínicas existe um serviço de rastreio, onde se pondera se uma criança está de alguma forma em risco e são dadas orientações aos pais.